JOGO DE BOTÃO

JOGO DE BOTÃO
JOGO DE BOTÃO

domingo, 30 de março de 2014

COMO NOS DIVERTÍAMOS HÁ 50 ANOS?


Quais os divertimentos dos jovens naqueles idos tempos dos anos 40 e 50 ?  O que faziam para passar o tempo  ou se divertir ? Estas são perguntas que  muitos me fazem, especialmente os mais jovens,  acostumados aos videogames,  jogos eletrônicos e outras coisas do  mesmo gênero.  Para eles, a idéia  da inexistência de brinquedos com  "megas", "bits", "delete", "start" e que não possam ser ligados à corrente elétrica parece extravagante, coisa  pra lá de antiga.
Para estes, eu conto:
Pião e Pandorga -
Coisas mais simples agradavam à  gurizada.  O  pião, feito de madeira, lançado com maestria por alguns e  aos trancos, por outros (eu era destes últimos).  Para quem sabia jogar, o pião  se revelava um espetáculo.  Fazia-se  "dormir", andar numa determinada direção e voltar, e mil outras coisas.  Havia um pião de metal, grande, colorido, com um sistema de propulsão consistindo numa haste colocada no topo do brinquedo que era comprimida várias vezes, enquanto se segurava o pião.  Uma  mola "aquecia os motores" e a gente largava o pião no chão, rapidamente, e  ele, ao girar, emitia um som melódico que encantava. 
Havia a "pandorga" ou "pipa", que todo mundo conhece, largada nos ares do cais do porto ou na  beira dágua, ali  para os lados da Usina do Gasômetro.  Este lindo brinquedo era o encanto todo o mundo.  Fácil de fazer, precisava de pedaço de taquara, papel de seda, cola e barbante.  O resto ficava por  conta da criatividade.
Bolinha de gude e Varetas -
Parece mentira, mas jogava-se bolita na Rua da Praia.  As bolas de  gude eram disputadíssimas pelas cores e tamanhos, e na saída das aulas, à tarde, cada uma carregava seu saco  de bolinhas de vidro e ia disputar algum jogo que aparecesse.  Era um tal de "peço meça!" para medir distância, "buliu!", quando a bola tocava indevidamente em outra, "tá fora!" quando alguém conseguia tirar a bolinha do "tria!", ou triângulo.  Os terrenos baldios eram  os locais preferidos, mesmo porque eram deixados abertos e não cercados como hoje. Naqueles tempos, não havia perigo de  invasão. 
Um jogo também preferido pela garotada era o de "varetas", que existe até hoje, mas  deve mofar nas prateleiras.  Exigia  destreza, olho firme e mão mais firme ainda.  E uma capacidade enorme  para  aguentar as intervenções dos outros, enquanto se jogava.  O grito de "buliu" era respondido por "não buliu" e aí a discussão estava instalada.
FUTEBOL DE BOTÃO -
Era moda, também, o "Futebol de Botão", que ainda hoje existe, mas  apenas entre os mais antigos, com um  ou outro curioso mais jovem.  Botões de casacão, de vestido ou casaco da mãe, ou de puxadores  de gaveta ou outros móveis, feitos de plástico galalite.  Os times eram os  mais variados, desde a dupla Gremio e Internacional até os chamados grandes, do Rio de Janeiro e São Paulo.  Os nomes dos jogadores eram datilografados e colados em  cima dos botões.  Os números eram  tirados de calendários de papel.  Não se falava em  "goleiro", mas em "goal-keeper" , os zagueiros eram  "backs" ou beques, o centro-médio era o "center-half" e o centro-avante era o  "center-forward".  Os ponteiros eram os "wingers" (como se sabe  esta posição não existe mais).  Vocês  podem imaginar a pronúncia que  cada um dava aos termos ingleses...
Das camisas para o campo. -
A bolinha do jogo de botão era tirada da tampinha da pasta de dentes Kolynos, bem lixada e achatada.  Ou então, botão de camisa, de um  tipo especial escolhido a dedo, que  também recebia um lixamento, para evitar que corresse demais.
Do Rio de Janeiro, onde estive pela primeira vez aos 12 anos, trouxe  uma novidade: uma bolinha feita de  algodão, pacientemente enrolada em uma linha fina de costura e colada ao final.  Uma trabalheira enorme.  Não pegou por aqui, porque dava trabalho e o resultado nem sempre era  satisfatório.  Ficamos com a tampinha e o botão de camisa.  Engraçado é  que, até hoje, quando olho um botão  de camisa, verifico se ele daria uma  bolinha perfeita ou não.  Foi-se o jogo, ficou o hábito.  Para impulsionar o  "jogador", alguns usavam ficha de  roleta, outros, uma palheta feita de  madeira.  Tinha quem jogasse com um pente de bolso da fábrica "Flamengo" ou "Pantera", usando o lado dos dentes.  Dava maciez ao toque no botão e o efeito era perfeito, segundo alguns.  Eu  sempre preferi uma ficha de roleta, que eu ainda tenho, junto com os demais "players" da minha aguerrida equipe.

TRANSCRIÇÃO DE MATÉRIA DO JORNAL DA CAPITAL DE JANEIRO/FEVEREIRO DE 2010.
AUTORIA DO JORNALISTA  PAULO LONTRA - E-mail:   paulo.lontra@gmail.com

Reprodução de Enio Seibert  - E-mail: enioseibert@hotmail.com

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