JOGO DE BOTÃO

JOGO DE BOTÃO
JOGO DE BOTÃO

domingo, 30 de março de 2014


APRENDENDO  A SER UM CAMPEÃO


Começamos a fase dos grandes torneios e opens do botonismo em todo o território nacional.  As Ligas e Clubes estão agitados no cumprimento de seus calendários buscando os melhores de todas as categorias.  Haja flanelinha para lustrar tantos botões...
Cada um se prepara como pode.  Alguns treinam de vez em quando conforme podem,  enquanto outros fazem um esforço ainda maior, treinando de 2 a 3 horas por dia, buscando um  desempenho de excelência para os duelos do futmesa que muitas vezes, lembram as lutas dos grandes gladiadores.  E por falar nisto, você já viu uma partida de futebol de mesa entre dois campeões valendo o caneco ?  Se não viu, quando você  tiver o privilégio de ver vai entender o que eu quero dizer. 
E se já viu, sabe bem como tudo acontece quando as  cortinas se abrem para o espetáculo.
Sei que todos os esportes são levados a sério.  Mas  no futebol de mesa é incrível os níveis das disputas.  Como é tratado com seriedade um torneio.  E pensar que tudo começou como uma brincadeira inocente de criança...
É difícil até piscar quando os jogos se tornam eletrizantes e a disputa é apertada.  Existem jogos que são decididos em favor de quem erra menos, tamanho o aprimoramento das técnicas sobre o tablado verde.
Sabemos que não são todos que se tornam campeões.  Porém, acredito que a grande maioria deseja ser vencedor naquilo que se esmera em fazer bem.
Certamente que existem muitos campeões em muitas coisas boas neste mundo e que nunca foram reconhecidos, infelizmente.
São os campeões anônimos espalhados pelos becos e ruas das cidades.
No caso do futebol de mesa, a coisa  aperta sobremodo quando se joga um torneio, ainda que entre velhos amigos.  De um lado alguém que joga o simples e velho botão pelo prazer.  De outro lado da mesa alguém que tem a fama de ser matador, e que joga palhetando olhando para o troféu em  disputa.
É muito provável que a tensão invadirá o coração do botonista que se julga inferior e com menos gabarito para  vencer um talentoso campeão.  Em geral, é possível ver esportistas que entram para o duelo já derrotados.  O medo pode ser um adversário  bem pior que o botonista que está do outro lado da mesa.
Já ouvi relatos de botonistas que chegaram  ao cúmulo de enxergar os botões do adversário maiores, melhores, ou com a nítida impressão de se tratar de um  material invencível.
Nada disso !    Isto tudo não passa de efeitos colaterais de gente insegura, e que em competições de níveis elevados, acabam se manifestando de tal forma que não permite que um botonista desempenhe bem o seu jogo.
O medo cega e faz com que um competidor se retraia, enterrando seu talento e gerando um outro sintoma:  acuamento.
Bem, não existe uma fábrica de campeões.  Nunca vi uma academia especializada em formar vencedores, embora alguns insistam nisto.
Creio que é possível sim, desenvolver talentos e aprimorar técnicas.  E isto pode acontecer com qualquer um que realmente queira pagar os preços dos exaustivos treinamentos.
Conheci muitas pessoas durante minha vida.  Estou o tempo  todo tratando com pessoas e conhecendo seus corações.  Percebo que existem  pessoas que, por algum motivo, são mais determinadas que outras.
Em uma partida de futebol de mesa, valendo algum reconhecimento importante do meio, é possível perceber aqueles que  são mais determinados e aqueles que jogam a toalha da desistência sem oferecer o mínimo da resistência.
É claro que os treinamentos fazem a diferença.  Treinos e decisão de superação é dupla explosiva  para o sucesso.
Estou convicto de que existem  pessoas que tem algo mais dentro de si.  Talvez, quem sabe, foi a criação dentro do lar que lhes proporcionou um espírito vencedor.   Pais que foram  modelos para a perseverança.  As grandes lutas da vida podem ter contribuído em muito para que o gatilho da determinação fosse acionado dentro de uma determinada pessoa.  Outras pessoas, no entanto,  parecem mais frágeis  e não são determinadas.  Desistem com facilidade e fogem aos confrontos que são inevitáveis, dentro e fora do jogo.
No futebol de mesa é possível lidar  com essas fragilidades que são  típicas do ser humano.
Penso que as escolhas e as decisões sempre são nossas.  Por algum motivo recebemos em nosso ser a capacidade de  decidirmos como queremos ser.  Já o controle  quanto ao que seremos pode não estar totalmente em nossas mãos. 
Já vi gente " pequena " no futebol de mesa  enfrentando de igual para igual gente mais  capacitada.   Como pode ?   Pode, porque esta  pessoa  " pequena "  decidiu ser grande, e jogar  como gente grande.  Mas também já vi gente  " grande " agir como gente absolutamente incapaz, neutra.
Quando entramos em campo com nossos  botões pra lá de incrementados, decidamos ser  competidores determinados.   E se estiver levando uma goleada, não desista !   E sabe porque ?   Bem, como já  disse, existem muitos campeões que nunca foram reconhecidos.  Campeões sem medalhas ou sem troféus.  Isto não importa, botonista !    Só o fato de você enfrentar feras que você considera melhores do que você, e mesmo  assim, lutar de igual para igual, faz de  você um  grande campeão.  Ser honesto, respeitoso, para com o adversário e  competir com garra, já mostram  que você tem aquele algo mais dentro de  você.
Você verá que os seus oponentes terão que lhe respeitar por causa da  sua determinação.  O resultado  de uma partida pode não passar de um  simples detalhe, entendido ? 
Quanto a medalha... bem ... Penso que  ela já está em seu coração.  Por isso não  a despreze.   Mesmo que só você a veja.

Ricardo C. Meni
Jogador-botonista do Jabulani Futebol de Mesa na cidade de Jaboticabal - São Paulo.
www.jabulanifuteboldemesa.com.br
 
Texto reproduzido por Enio Seibert

Nenhum comentário:

Postar um comentário