JOGO DE BOTÃO

JOGO DE BOTÃO
JOGO DE BOTÃO

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

CADA BOTÃO TEM VIDA PRÓPRIA‏

A  Liga Valenciana se consolida e cada equipe dispõe de um estádio, escudo, uniforme, hino próprio e concentração,  um mini-compartimento próprio para depósito de seu material.
A Associação Valenciana de Futebol de Botões resiste de forma romântica, alheia à modernidade dos vídeo-jogos e aos ídolos das multidões.  Vinte e cinco equipes com jogadores de todas as idades, mantém viva uma afeição que transporta  seus protagonistas ao território mágico da infância e adolescência.
São 22 horas de  quarta-feira.  O silêncio das ruas de El Cabanyal e dos terraços dos bares somente é interrompido com os ecos das partidas da Liga, repercutindo  nos terraços dos bares.  Enquanto  isso,  na mesma hora, em uma planta baixa da rua Escalante, resistem os últimos românticos desse jogo apaixonante.
Preferem ignorar o jogo quase robotizado de Cristiano Ronaldo, ou as estocadas de vértice de Leo Messi.  Também a perfeição  tecnológica das consoles.  Tudo com o intuito de não renunciar a uma paixão " que nos devolve à infância ", como é o futebol de botões.  Ali no número 173 da rua Escalante, na cidade  espanhola de Valência, tem sua sede a Associação  Valenciana de Futebol de Botões.
 Um jogo que seria dificilmente concebido sem a arte de Pepe Aygues.  Com seus 62 anos, já  conta mais de 45 anos dedicando-se à arte de fabricar botões de competição, de material  clássico ( acrílico e poliéster ).  Em uma sala da própria sede tem instalada sua oficina:  < Não há dois botões iguais, nem tampouco dois botões que tenham a mesma função >.
Assim, os botões passadores tem a borda mais arredondada, diferente dos arremessadores ou dos levantadores, mais afilado.  Os goleiros ( porteros, como denominam os espanhóis ) são os botões  maiores, com diâmetro com  5,5 cm de diâmetro por 1,5 cm de altura, enquanto que a dimensão dos jogadores de campo não excedem os 4,5 cm de  largura.
Com paciência de ourives, Aygues molda  por encomenda e ao gosto do cliente-consumidor, os botões  ( e a cor das camisetas ) da maioria das 25 equipes,  divididas entre 1a. e 2a. divisões, que  a cada sexta-feira competem em tensas partidas oficiais.   A sexta-feira é o dia para treinar, jogar partidas oficiais e encontros amistosos.
<As pessoas  de fora do meio botonístico acreditarão que estamos loucos > aponta Carlos  Espada, treinador da equipe Cultural Futebotonística de Benimaclet >, porém, muito diferente do  " jogo de chapas ou tampas ", cada  botão tem vida própria >.  < Não são simples botões.  Como no futebol dos gramados, há defensores rudes, jogadores técnicos ou atacantes que  jogam   muito bem de cabeça >, prossegue Carlos Espada.  A superfície de  campo de jogo dos oito estádios disponibilizados na sede varia, segundo a aspereza maior ou menor de cada  um.  < Há um  par de estádios em que não posso escalar  meus melhores  botões-jogadores, por que não deslisam com  suavidade.   É como se jogássemos em  " Las Gaunas " >.
 
Nesses casos, às vezes colocamos pó de talco sobre a  mesa para recuperar a velocidade.  é  como se agente desse uma molhada no gramado de um campo de futebol, ilustra Carlos Espada, que a cada  sexta-feira se  acorda às 5 horas da madrugada para atualizar os resultados na página da web da associação e que criou inclusive uma página especial em blog para seguir acompanhando a sua equipe no campeonato.
A afeição por este esporte resiste,  apesar de que já vivemos épocas melhores.  < Nos finais dos anos 50 e  princípios  de 60 o jogo estava no auge, sobretudo na nossa rua e no bairro.  Durante o ano de 1988  se reativou, novamente.  Agora resistimos com a minoria de sempre >, disse Aygues, com  expressão  de resignação.
Como assegura Miguel Galindo, um dos jogadores mais veteranos, trata-se do único jogo capaz de  reunir < ao avô, pai e neto, as três gerações distintas >.  De fato,  o aspecto de idade entre  os participantes da Liga é muito  variado e amplo, desde os  76 anos de Pepe Sancho, treinador do decano Liverpool, até os 13 anos de Pablo Haro, o mais jovem  da turma que comanda a equipe de Polvorilla.
As partidas reúnem toda a  pompa e boato possíveis, cada jogador dispõe de estádio local, escudos, concentração, depósito próprio para guarda de material  e até uniforme próprio personalizado.  Alguns tem até hino próprio.  Os botões de Hispania escutam  antes de cada  confronto, desde  um aparelho gravador, o hino espanhol, para motivar-se.  Os nomes das equipes são variáveis e  se destacam a quantidade de denominações com referências ao  Levante UD, como Agostinet F.C., o Atlético Granota  o 1909.  < Não são maioria, porém nós valencianos/valencianistas não temos necessidade de recordar  que o somos >, replica com  bom humor Carlos Espada.
As partidas duram 40 minutos, divididas  em  duas metades de tempo de 20 minutos, mais os acréscimos.  Há um árbitro, cartões, expulsões, polêmicas.  As partidas acontecem e são jogadas com uma jogada/toque para cada  técnico-jogador, ao contrário das regras que predominam na Catalúnia - Região de Barcelona, onde cada botonista dispõe de até 5 toques, para favorecer o espetáculo.  <  É o guardiolismo de Pepe Guardiola transferido para o jogo de botões >, ironiza Galindo.
O treinamento acaba na quarta-feira e todos aguardam outro idílico  regresso à juventude na próxima semana.


Carlos Espada em ação

MATÉRIA TRANSCRITA E TRADUZIDA DO BLOG/SITE DA ASSOCIAÇÃO  VALENCIANA DE FUTEBOL DE BOTÕES.
PUBLICAÇÃO DE CARLOS ESPADA, BOTONISTA E CRONISTA DE FUTBOL DE BOTONES DE VALÊNCIA - ESPANHA.

TRADUÇÃO DE ENIO SEIBERT  -  E-MAIL:  enioseibert@hotmail.com    PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - BRASIL.

Nenhum comentário:

Postar um comentário