JOGO DE BOTÃO

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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A opinião do Bávaro Cavador Ricardo Gothe 


 Quando perguntamos para a maioria dos botonistas qual o Troféu mais importante que já ganharam, invariavelmente a reposta é a mesma: “As amizades que conquistei no Futebol de Mesa”. É mais ou menos o lance aquele de miss em concurso com o Pequeno Príncipe, quando a pergunta se refere ao primeiro livro, livro que mais gostou ou de cabeceira.

O GOTHE CROMO GOL (Série que publicamos com muito sucesso contando a história de vários jogadores), e as entrevistas do STUDIO DE VERÃO, Conversa de STUDIO e hat-trick, não nos deixam mentir.

Será verdade ou é o conhecido politicamente correto (tão em moda por aí), fazendo suas vítimas também no nosso esporte ?

Claro que todos nós conquistamos um bom número de amizades jogando botão, até este Editor opinando há 10 anos sem rodeios no Gothe Gol e que não chega a ser tão amado assim, conquistou algumas boas amizades nos tablados.

Mas quem conhece o meio sabe que as rivalidades estão aí sempre latentes e que mesmo com uma boa dose de respeito, nos bastidores nada é completamente ameno como parece.

Os comentários sobre este ou aquele técnico nos “corredores” variam da admiração ao seu talento à crítica sobre sua conhecida soberba, do elogio à sua postura e honestidade a crítica sobre o seu jogo tecnicamente pobre, retranqueiro e de muita sorte, etc.

Quem não desse a lenha no cara que ganha tempo com o papel e o paninho passado na mesa a cada jogada ? Ou aquele que com a vantagem coloca a bola no fundo, atrás da linha defensiva do adversário ? Ou do outro que não chuta com o receio do rebote de goleiro voltar ao seu campo e por aí vai ?

Sempre que o ano vai chegando ao fim, nas redes sociais vão surgindo nas fotos as prateleiras repletas de troféus (até de vice) de incontáveis jogadores. Uma rápida passagem pelos mais diversos perfis e contabilizaremos mais imagens de “craques” segurando troféus do que abraçados aos amigos, “seus maiores prêmios”, ou até imagens suas nas mesas jogando.

Entra campeonato e sai campeonato e nos encontros sobram sorrisos, abraços acalorados e os tradicionais, tapas nas costas, de extrema saudação ou saudade. Já na mesa vem um “golaço” bem gritado, mirando o adversário fraterno, isso quando o gol não termina em um peixinho ou outras pirotecnias da arte de afundar o oponente, mesmo que às vezes o jogo não termine tão bem assim.

Como não desconfiar de quem é amigo de todo mundo ? Isso é mais ou menos como não se ter de fato aqueles sólidos amigos (os chamados de verdade, que se contam nos dedos de uma única mão), ou pior, dar a nítida sensação de que não se possui opinião sobre coisa alguma só para se preservar no meio, o que é claro, soa bastante falso de qualquer modo.

Não é mais interessante dizermos a que viemos e que queremos ganhar e que ganhar é fundamental e importante, mas que assim mesmo é possível respeitar a todos, ter as amizades e até tomar juntos aquela cerveja gelada ?

Alguém já viajou 500 quilômetros para jogar uma competição, gastou com passagem ou combustível, inscrição, alimentação e hospedagem, justamente porque não intenciona ganhá-la, nem que seja num fio de esperança ?

O Futebol de Mesa não difere em nada de outros esportes e seus ambientes e em nada de outros espaços e atividades que “contenham” seres humanos. Há lá intensas disputas e rivalidades, secação pura, invejas, amizades, euforia, orgulho, soberba, fidalguia, solidariedade, tudo de bom e de ruim que conhecemos em qualquer relação social.

Ok, por um longo tempo em alguns lugares tentaram vender que o Futmesa é composto de gente perfeita, com um paraíso de disputas “intactas” e churrascos “confraternizantes”. É verdade, tem isso também e que bom que tenha.

A compreensão disso não impede que se possa olhar com muita graça quando o pessoal se encontra para torneios e competições e trocam “mimos” de todo tipo, amores que após também surgem nas páginas de sites, blogs e das redes sociais, paixões pelo espírito desportivo, públicas.

Alguém já reparou nas redes sociais como a vida é perfeita ?

Lá estão todos defendendo aquilo que o senso comum chama de correto em todos os campos, ou pelo menos a tendência da vez.

Na verdade, vamos combinar, quase sempre é difícil ver alguém sorridente numa foto do quarteto premiado que não seja o Campeão, ou aquele 4º colocado que nem imaginava passar da primeira fase.

Por isso gostei muito do que expressa a foto do quarteto premiado numa das últimas competições dos cavados disputada no interior do Rio Grande do Sul em 2013 e que publicamos num BREAKFAST, quando postamos um SCOUT daquela temporada. Nela há um técnico sincero (dele se “ouve” o silêncio), visivelmente chateado por não ter sido o principal vencedor, um técnico que poucas horas depois se desculpou pelo resultado no Facebook, e que mesmo acostumado a ter muitas e sinceras relações no Futmesa, não sairia de forma alguma sorrindo daquele torneio da maneira como o torneio terminou, mesmo que embaixo do braço levasse para a sua prateleira o “principal prêmio”, mais uma meia dúzia de novas amizades.

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