JOGO DE BOTÃO

JOGO DE BOTÃO
JOGO DE BOTÃO

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

LOUCOS POR FUTEBOL DE BOTÃO  II  -

A idéia de produzir um livro contando histórias de botonistas e do jogo de futebol de botões desde suas origens, suas diversas teses  e hipóteses sobre seu início e locais, surgiu quando o blog Futmesabrasil ,  do estado de São Paulo, onde fui colaborador  mensal ( com matérias do meu acervo pessoal de cerca de 40 anos ), começou  a apresentar um volume considerável de crônicas e reportagens históricas que, pensei  eu  com os meus botões, poderiam transformar-se numa leitura interessante e agradável, também, para o mundo botonístico brasileiro e até do exterior, neste novo formato em impressão gráfica.
Assim, ficariam registradas para as futuras gerações, nem que fosse somente como um grande relato e curiosidade sobre uma das maneiras como nos divertíamos no século passado, mais especificamente, dos anos 50 para nossos dias.
Com as colaborações consentidas e autorizadas do grande escritor, cronista, administrador de empresas e desenhista industrial Paulo Bosco, botonista brasileiro radicado nos Estados Unidos,  de Marcelo Suárez Garcia, nosso grande escritor, poeta, cronista e botonista espanhol das Astúrias,  do poeta, ex-bancário, advogado e decano dos botonistas gaúchos Miguel Orci, de Canoas-RS,  dentre outros grandes cronistas, escritores, jornalistas e  colaboradores diversos, encorajei-me com a possibilidade de produzir uma futura publicação reunindo as histórias e crônicas do nosso "  jogo de botão ", até então, matérias diversificadas e espalhadas nos quatro cantos do mundo.   Todas as matérias interessantes sobre a temática futebol de botão, encontradas na internet e na imprensa, foram selecionadas para postagens nos blogs e posteriormente, no livro impresso.
Até arrisquei e me aventurei a escrever algumas  matérias das quais participei  ou tomei conhecimento ( mesmo não sendo escritor ) e nestes momentos sempre  lembrava do antigo parceiro de centenas de jogos de futebol de botão, durante a minha infância e adolescência,  o amigo James Hilton Macedo, que registrava numa caderneta, todos os resultados dos nossos jogos, certamente, mais de mil partidas, dos quais só lembro a minha maior derrota por 7x1 e minha maior vitória sobre o companheiro por 10x4.  Também recordo seu maior número de vitórias nos primeiros anos de nossos confrontos e  a progressiva reversão de resultados a meu favor nos últimos tempos.
Certamente,  o antigo parceiro de confrontos amistosos e torneios  todos realizados praticamente,  na sua mesa e na sua casa, ainda teve mais vitórias do que derrotas, apresentando uma supremacia que  jamais consegui desmanchar, ao menos, nesta vida terrena.  Talvez, numa outra dimensão espiritual, pois o parceiro de tantos jogos partiu precocemente, lá pelos 50 anos. Novas revanches só poderão acontecer, talvez, no mundo infinito dos astros e estrelas, como descreve o poeta espanhol Marcelo Suárez Garcia, na sua célebre poesia "Hino a uma paixão", onde roga aos deuses um espaço para  uma mesa de jogo de futebotão entre as estrelas do universo.
O parceiro de  intermináveis e incontáveis confrontos de  jogos de botão James Hilton Macedo, na interiorana cidade de Cachoeira do Sul, além de  grande jogador, era também um excelente texto e cronista, tal qual seu  homônimo escritor americano que lhe emprestou o nome ( James Hilton ), isto, logicamente, graças ao seu pai, fã de carteirinha e leitor fiel do grande best-seller da América.  Este livro, certamente, contaria com belos textos e crônicas maravilhosas deste amigo e companheiro de jogo, precocemente desaparecido da  nossa dimensão.  Mas, lá em cima, nos céus infinitos, deve haver uma mesa oficial completa em boas condições e times de galalite, ou até de acrílico, para diversão eterna de todos nós, quando lá chegarmos.    É  a torcida também do companheiro botonista Ronei Tauber...   Estás lembrado  destas palavras na sede da Lancheria Apolo, Ronei ?  - " Lá em cima tem que ter uma mesa de futebol de botão pra  gente  curtir e passar o tempo "...
O companheiro e amigo botonista José Obereci Carvalho prontificou-se a colaborar  e vem emprestando sua colaboração prática e efetiva, na organização dos capítulos, divisões e textos deste livro, com muita eficiência, apesar de ser um cético na crença da idéia de unificação das regras do jogo de futebol de botão, concepção na qual acredito e venho lutando, tal qual um Don Quixote sonhador e visionário, mesmo que a  maioria dos botonistas creia ser impossível, ou inviável,  ou até mesmo, impraticável tal propósito..  Mas, continuo acreditando neste sonho quase  impossível, pois, esporadicamente, encontro e converso com pessoas que, ao menos, opinam que isto  seria o ideal para a preservação e continuidade do jogo entre as  novas gerações  que só conhecem jogos eletrônicos da modernidade.  Mas dizem, também, tratar-se na prática, de uma legítima missão impossível ! 
Às vezes me questiono se serei eu o único sonhador, visionário e idealista  neste mundo dos botões de múltiplas regras e regulamentos  diferenciados ?   Porque  ninguém acredita na unificação das regras de futebol de botão se todos os botonistas do mundo só teriam  a ganhar com  esta prática ?    Pois não é uma verdade irrefutável e indiscutível que os maiores, mais praticados, mais populares e mais difundidos esportes ( na televisão ) do mundo têm regras únicas e padronizadas e são jogados da mesma maneira no mundo inteiro ?  ( Casos do futebol de campo,  basquete, vôlei,  tênis,  futsal,  tênis de mesa,  beisebol, rugby, futebol americano ).
Por que o nosso Futebol de Botão de Mesa, o melhor jogo ( esporte-hobby ) do mundo não pode ter regras únicas e padronizadas para todos poderem praticar este esporte da mesma maneira  em todo o planeta ?
De qualquer forma, pretendo continuar  sendo um sonhador prático e idealista, talvez um visionário, crente  e incorrigível neste propósito.   O que se há de fazer ?
Faço parte, com muita honra deste grupo seleto dos que gostam demais deste esporte e de todas as suas implicações, ao ponto de sermos  conhecidos como os  " LOUCOS POR FUTEBOL DE BOTÃO."

Uma apresentação parcial do livro "Loucos por futebol de botão", em fase de elaboração final para lançamento em edição impressa em breve.
Enio Seibert- enioseibert@hotmail.com ; blog: www.botonismo.com.br
Porto Alegre- Estado do Rio Grande do Sul- Brasil

domingo, 2 de novembro de 2014

                                                LOUCOS POR FUTEBOL DE BOTÃO


Vem aí o livro sobre as coisas e fatos do mundo fascinante do futebol de botões acontecidos na eterna capital mundial deste esporte, cidade de Porto Alegre, estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, nas Américas, na Espanha e no mundo, com as principais matérias postadas no extinto blog futmesabrasil e no blog atual botonismo.com.br   Histórias, crônicas, regras, regulamentos, curiosidades, origens, teses e hipóteses, cronologia, loucuras, estórias, fabricantes de botões e de mesas, botonistas famosos, clubes praticantes, departamentos  de futebol de mesa, regras nacionais ( brasileira, gaúcha, paulista, carioca, dadinho, pastilha, celotex paraense, maranhense, pernambucana ), regras internacionais (regra catalana/Barcelona, valenciana/Valência, Sectorball/Hungria) e a proposta de unificação dos regulamentos do jogo com a Regra Unificada de Futebol de Mesa/Unified Rule (já traduzida para o inglês).
Os maiores cronistas de futebol de botões do mundo e suas histórias maravilhosas e apaixonantes que irão fazer você se emocionar, sorrir e chorar. 
Marcelo Suarez Garcia ( das Astúrias ), Carlos Espada (de Valência), Carlos Garcia Dalmau (da Catalúnia ), Paulo Bosco (sul de Nova York), Luis Fernando Veríssimo (Porto Alegre), Ricardo Meni (Jaboticabal/São Paulo), Adauto Sambaquy (Balneário Camboriú/Santa Catarina),  David Coimbra (Porto Alegre),  Ruy Carlos Ostermann (Porto Alegre), Chico Buarque de Holanda (Rio de Janeiro),  João Batista Rangel (Cascavel/Paraná),  Miguel Orci (Canoas/Rio Grande do Sul),  Enio Seibert (Porto Alegre), dentre outros, são alguns dos contadores de histórias do jogo de botões  que desfilam nas cerca de 300 páginas deste livro inédito  no mundo. 
Esperamos e até podemos  garantir  que este livro  tem tudo para tornar-se o novo livro de cabeceira dos botonistas praticantes do melhor jogo do mundo, também considerado um hobby desestressante, uma paixão sem limites, uma terapia de vida, uma razão a mais para viver.  Compilação do botonista Enio Seibert, 70 anos de idade e 60  de prática do futebol de botões de mesa.    Em breve, lançamento da edição impressa em português.  Aguardem novas notícias no blog  www.botonismo.com.br 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

UM TEMPO SEM KIWI E SEM HERÓIS -


Opções daquela época: pedalar bicicleta, jogar futebol, brincar de autorama, jogar bolinhas de gude e futebol de botão. Sou de um tempo sem kiwi.  Não havia kiwi,  não havia sushi, o pão era semolina de meio  quilo, tudo era mais difícil naquela época.  Também não havia internet, logo não havia e-mail ou Facebook, não havia nem celular e nós nem  sequer tínhamos telefone fixo em casa.  Como nos  comunicávamos ?  Não sei.  Como arranjávamos amigos  e namoradas ?  Não faço a mais tísica idéia.
Que mundo estranho era aquele sem kiwi. 
Naquele tempo tão longe, de mim distante, os guris não sonhavam em ganhar iPad de Natal.  Não, não, nossos  anseios, basicamente, se resumiam a três presentes.
1 - Uma bola de couro no. 5, coisa rara.
2 - Uma bicicleta, coisa caríssima.
3 - Um autorama, coisa para nababo.
Uma vez ganhei uma bola de couro no. 5, costurada a mão por algum presidiário, gomos pretos e brancos, uma lindeza, o único tipo de bola que deveria ser utilizado em quaisquer campeonatos do mundo para todo o sempre, amém.
Lembro-me da pena que senti em chutá-la pela primeira vez, mas, eu tinha de chutá-la, para isso ela existia, e a chutei com gosto, todos nós da turma a chutamos, jogos épicos foram disputados com aquela relíquia, marquei gols com ela, sim, os marquei, até que ela foi gastando com o tempo e com o uso, e logo a tinta branca e preta desbotou, e em  seu lugar restou o cinza sujo do couro, e um dia a costura de um gomo se abriu como uma fenda na carne, e olhei para a minha linda bola de couro número 5 com alguma tristeza,  sabia que ela estava chegando ao  fim, mas sabia, também, que tudo na  vida nasce, alcança o auge, passa pela decadência e morre, e via que a morte da minha bola se  iniciava,  e logo os gomos foram se soltando, um a um, um  por jogo, e em pouco tempo ela parecia uma velha casa  com a tinta descascada e as janelas arrombadas, uma casa  abandonada e melancólica, e logo ela nem rolava mais direito, e um dia foi substitida por uma bola novinha que algum outro guri ganhou de aniversário, e foi posta  de lado, e murchou, esquecida, como murcham até os  grandes sentimentos, e morreu como morrem até os  amores imortais.
Foi triste perder aquela bola.  Mas valeu a pena, porque você só perde o que você um dia teve, e eu a tive.
Autorama, não.  Autorama nunca tive.  Autorama era areia demais  para o caminhãozinho financeiro da família.  Mas bicicleta um dia ganhei.  Recordo minúcias daquele feliz Natal.  Foi um esforço conjunto de mãe,  vô, madrinha e vó.  Um mutirão.  E lá estava ela, uma Caloi azul escura, de trava torpedo, aro grosso, pneus pretos da espessura do meu braço.  Que emoção.
Era uma bicicleta sem marchas.  Ninguém ganhava bicicleta com marcha num tempo sem kiwi.  Depois é que surgiu a Caloi  10.  Dez marchas, um luxo.  Diziam que com uma bicicleta de 10  marchas você podia subir a lomba da Lucas de Oliveira assobiando, mas acho que era lenda.
De qualquer forma, percorri toda a cidade com a minha Caloizinha.  Saíamos em cardumes, pedalando pelos bordos das avenidas .  Fomos até a longínqua Zona Sul, região por nós desconhecida e habitat de gente esquisita, que convivia com o rio.  Fomos até a inóspita Alvorada.  Nos aventuramos pela Freeway.  Pedalamos, pedalamos, e nem sabíamos que éramos heróis.
Como o tempo é injusto com os homens.  Fosse hoje, seríamos incensados na cidade.  Seríamos reportagem de  jornal.  Seríamos personagens de discurso na Câmara.  Sim, porque agora, neste tempo de kiwis, existe a  crença de que andar de bicicleta muda o mundo, de  que andar de bicicleta é fazer a Revolução.
Quem poderia imaginar ?  Nenhuma daquelas  duplas famosas, Marx & Engels, Lenin & Trotski, Fidel & Tche, nenhum deles imaginaria que o capitalismo seria  abalado a pedaladas.
Mais amor, menos motor.
  Tem lugares que aplicam essa máxima.
Mas, felizmente, também havia o jogo de Futebol de botão.
A GRANDE DECISÃO.
Eu não era bom no gude.  A começar pelo meu  nhaque, que era ... como direi para não chocá-los ? Digamos que meu nhaque  chamar-se-ia, em termos publicáveis, cloaca.  Ou  ânus de galinha.
Enfim.  O problema é que esse tipo de nhaque não  tem muita propulsão.  E  também, não se podia dizer que minha  pontaria fosse bem  calibrada.  Então, eu me dava mal no jogo de bolinhas de gude, perdia minhas águidas  todas.  Craque era o Edu Brites, o nhaque  mais potente do IAPI.  A bolinha saía da mão do Edu feito um tiro de tresoitão, quebrava a  joga da gente ao meio.
Aliás, o Edu era o tipo de cara bom em tudo.  Existem caras assim.  Ele jogava bem gude, boco, pião, bafo, pingue-pongue e,
o mais importante, futebol.  Tinha um chute de entortar travessões, o Edu Brites.
Só tem o seguinte: não me ganhava no futebol de botão.  Ninguém me ganhava.  Para se ter uma idéia da minha craqueza: nós jogávamos campeonato valendo botão.  Comecei com um time humilde, contratado às pressas, meus puxadores tinham no máximo duas camadas e alguns não passavam de uma.  Acho até que coloquei um "panelinha" (botão de plástico comum) a de improviso na lateral -direita.  Mesmo assim, ganhei tantos títulos que chegou um momento em que 11 times dividiam a caixa de sapatos onde se concentrava a delegação.
Agora um trauma: nunca tive Estádio Estrelão.  Manja Estrelão, o campo do futebol de botão da Estrela ?  Pois é.  Nunca tive.  Uma careza..  Jogava no parquê mesmo, minha mãe enlouquecia porque o assoalho ficava todo dentado pelas fichas.  Estrelão  era coisa rara na turma.  Até que um dia resolvemos nos profissionalizar.  Saímos pela Zona, um pedia madeira, outro pedia tinta, outro pedia grana mesmo.  Conseguimos montar um baita estádio de botão, coisa mais linda.  Era do tamanho de dois Estrelões, seria o Serra Dourada do botão.  Ou melhor: o Maracanã.
Organizamos um campeonato para  inaugurar o estádio.  E, pela primeira vez , não valia botão: valia taça e medalha.  Taça e medalha, cara !  Jamais havia ganho uma única taça, uma única medalha.  Disputei todos aqueles torneios de colégio, torneio de futebol,  de gaita de boca, de nilcon, participei de todas as corridas de carrinho de lomba, de bicicleta e até de patinete, joguei  tudo, sem ganhar uma só medalha, uma só taça, ainda que pequenina.  E agora poderia me redimir !  Sim, porque ninguém me bateria no botão, no botão eu era o maioral, o kid, o Pelé, o John Travolta, o Wianey Carlet !
Começou o campeonato.  E comecei  a ganhar deles todos.  Ganhei do Edu, do Barril, do Zoreia, do Languiça, do Apara Peido, do Floxo.  Cheguei à final. 
Meu adversário era o Diana, aquele que era chamado de Diana porque tinha uma cadelinha chamada Diana. Meu, eu jogava muito mais do que o Diana.  Sempre ganhava dele quando nos enfrentávamos no parquê, se bem que, preciso reconhecer, no parquê o mando de campo era meu.  Mas jogava mais do que ele em qualquer lugar e, como minha campanha fora melhor, só necessitava do empate para levar a taça e a medalha.  Barbada.
Porém, mal o jogo havia iniciado, o Diana, CABUMBA, meteu um gol  lá  do meio do campo.  Mas que bá.  Fiquei meio zonzo.  Até porque a turma, em volta, vibrou.  Pensei: pô, os carinhas estão torcendo pro Diana ?  Malditos traidores.  Fui para cima dele.  Pressão total.  Só que, por algum motivo, os chutes dos meus atacantes não entravam.  Pegava na trave, batia no goleiro, riscava o poste, o zagueirão de três camadas tirava.  Não entrava !  Aquilo foi me enervando.  A partida durava 10 minutos e cinco já haviam se passado.  Lá pelos seis, a bolinha caiu a um palmo do meu meia Rivellino, um puxador de duas camadas muito elegante, azul em cima, branco em baixo, as bordas numa inclinação de 25 graus, que é a inclinação perfeita para um meia de botão.  Rivellino.  Que jogador !  O goleador e maior astro do time.  Um verdadeiro ídolo, os outros botões seguiam  sua liderança.  Pois o meu Riva mandou um  chute de revesgueio,  a bolinha saiu alta, fez  tzin !, chocou-se com o travessão e ... gol do David !!!
Para minha surpresa, o pessoal vibrou também !  Ah, eles queriam era sacanear. 
O problema foi que já na saída o Diana deu um chutinho de nada, um  pum, mas a bolinha rolou como uma  moeda e entrou no meu gol.  Faltavam uns dois minutos e meio, a turma não parava de fazer barulho em volta, eu pressionando, eu chutando, eu tentando, e nada.
Aí a bolinha parou diante do Rivellino outra vez.  Respirei fundo.  O jogo ia terminar.  Como diriam os  narradores, estávamos no apagar das luzes, não havia tempo para mais nada, era o último cartucho.
Fiz pontaria.  Respirei fundo de novo. Assentei a ficha em cima do botão.  Anunciei:
- A gol !
O Diana:
- Chuta !
Respirei fundo pela terceira vez.  Pensei na taça.  Na medalha.
Finalmente teria uma taça e uma medalha !  Meu coração se apertou, ao lembrar delas, tão faiscantes.  E aí, minha mão pesou e a ficha escorregou.
O Riva deslizou torto, bateu torto na  bolinha e, para meu desespero, foi para fora !  O jogo terminou.  A turma vibrou.
Cara, fiquei nervoso com aquilo de taça e medalha e perdi !  É por isso que entendo as exigências de uma decisão.  É por isso que sei o valor de quem não se abala numa final.


TEXTOS DE DAVID COIMBRA, COLUNISTA DE ESPORTES DO JORNAL ZERO HORA DE PORTO ALEGRE - RS.
REPRODUÇÃO DE ENIO SEIBERT.

domingo, 30 de março de 2014

COMO NOS DIVERTÍAMOS HÁ 50 ANOS?


Quais os divertimentos dos jovens naqueles idos tempos dos anos 40 e 50 ?  O que faziam para passar o tempo  ou se divertir ? Estas são perguntas que  muitos me fazem, especialmente os mais jovens,  acostumados aos videogames,  jogos eletrônicos e outras coisas do  mesmo gênero.  Para eles, a idéia  da inexistência de brinquedos com  "megas", "bits", "delete", "start" e que não possam ser ligados à corrente elétrica parece extravagante, coisa  pra lá de antiga.
Para estes, eu conto:
Pião e Pandorga -
Coisas mais simples agradavam à  gurizada.  O  pião, feito de madeira, lançado com maestria por alguns e  aos trancos, por outros (eu era destes últimos).  Para quem sabia jogar, o pião  se revelava um espetáculo.  Fazia-se  "dormir", andar numa determinada direção e voltar, e mil outras coisas.  Havia um pião de metal, grande, colorido, com um sistema de propulsão consistindo numa haste colocada no topo do brinquedo que era comprimida várias vezes, enquanto se segurava o pião.  Uma  mola "aquecia os motores" e a gente largava o pião no chão, rapidamente, e  ele, ao girar, emitia um som melódico que encantava. 
Havia a "pandorga" ou "pipa", que todo mundo conhece, largada nos ares do cais do porto ou na  beira dágua, ali  para os lados da Usina do Gasômetro.  Este lindo brinquedo era o encanto todo o mundo.  Fácil de fazer, precisava de pedaço de taquara, papel de seda, cola e barbante.  O resto ficava por  conta da criatividade.
Bolinha de gude e Varetas -
Parece mentira, mas jogava-se bolita na Rua da Praia.  As bolas de  gude eram disputadíssimas pelas cores e tamanhos, e na saída das aulas, à tarde, cada uma carregava seu saco  de bolinhas de vidro e ia disputar algum jogo que aparecesse.  Era um tal de "peço meça!" para medir distância, "buliu!", quando a bola tocava indevidamente em outra, "tá fora!" quando alguém conseguia tirar a bolinha do "tria!", ou triângulo.  Os terrenos baldios eram  os locais preferidos, mesmo porque eram deixados abertos e não cercados como hoje. Naqueles tempos, não havia perigo de  invasão. 
Um jogo também preferido pela garotada era o de "varetas", que existe até hoje, mas  deve mofar nas prateleiras.  Exigia  destreza, olho firme e mão mais firme ainda.  E uma capacidade enorme  para  aguentar as intervenções dos outros, enquanto se jogava.  O grito de "buliu" era respondido por "não buliu" e aí a discussão estava instalada.
FUTEBOL DE BOTÃO -
Era moda, também, o "Futebol de Botão", que ainda hoje existe, mas  apenas entre os mais antigos, com um  ou outro curioso mais jovem.  Botões de casacão, de vestido ou casaco da mãe, ou de puxadores  de gaveta ou outros móveis, feitos de plástico galalite.  Os times eram os  mais variados, desde a dupla Gremio e Internacional até os chamados grandes, do Rio de Janeiro e São Paulo.  Os nomes dos jogadores eram datilografados e colados em  cima dos botões.  Os números eram  tirados de calendários de papel.  Não se falava em  "goleiro", mas em "goal-keeper" , os zagueiros eram  "backs" ou beques, o centro-médio era o "center-half" e o centro-avante era o  "center-forward".  Os ponteiros eram os "wingers" (como se sabe  esta posição não existe mais).  Vocês  podem imaginar a pronúncia que  cada um dava aos termos ingleses...
Das camisas para o campo. -
A bolinha do jogo de botão era tirada da tampinha da pasta de dentes Kolynos, bem lixada e achatada.  Ou então, botão de camisa, de um  tipo especial escolhido a dedo, que  também recebia um lixamento, para evitar que corresse demais.
Do Rio de Janeiro, onde estive pela primeira vez aos 12 anos, trouxe  uma novidade: uma bolinha feita de  algodão, pacientemente enrolada em uma linha fina de costura e colada ao final.  Uma trabalheira enorme.  Não pegou por aqui, porque dava trabalho e o resultado nem sempre era  satisfatório.  Ficamos com a tampinha e o botão de camisa.  Engraçado é  que, até hoje, quando olho um botão  de camisa, verifico se ele daria uma  bolinha perfeita ou não.  Foi-se o jogo, ficou o hábito.  Para impulsionar o  "jogador", alguns usavam ficha de  roleta, outros, uma palheta feita de  madeira.  Tinha quem jogasse com um pente de bolso da fábrica "Flamengo" ou "Pantera", usando o lado dos dentes.  Dava maciez ao toque no botão e o efeito era perfeito, segundo alguns.  Eu  sempre preferi uma ficha de roleta, que eu ainda tenho, junto com os demais "players" da minha aguerrida equipe.

TRANSCRIÇÃO DE MATÉRIA DO JORNAL DA CAPITAL DE JANEIRO/FEVEREIRO DE 2010.
AUTORIA DO JORNALISTA  PAULO LONTRA - E-mail:   paulo.lontra@gmail.com

Reprodução de Enio Seibert  - E-mail: enioseibert@hotmail.com
FUTEBOTÃO 


O FUTEBOL DE BOTÃO, de simples brincadeira praticada nos cursos primários de nossos internatos e nos salões paroquiais, é hoje levado muito a sério por um bom número de garotos e até mesmo por adolescentes.  A origem desse jogo é difícil de precisar e  a crônica esportiva raramente o menciona.  Entretanto, sua existência é um fato em todo o país e aí estão as donas de casa para confirma-la, através do cotidiano desaparecimento de botões das preciosas caixas de costura.  O futebol de botão copia  tudo do futebol de verdade e apaixona tanto quanto este último.  Sobre uma mesa alinham-se os dois times, onze  botões de cada lado.  A bola é outro botão (pequeno) e cada jogador é impulsionado por uma palheta especial ou por outro botão habilmente manejado.  As regras são idênticas às que foram observadas na última Copa do  Mundo de 1950  ( fouls, hands, penalties, etc.,  os times têm nomes de clubes conhecidos - Fluminense, Botafogo, Vasco da Gama, Flamengo, Internacional, Grêmio, Renner, Cruzeiro, Santos, Corinthians, São Paulo, Palmeiras - e as partidas são em dois tempos  (de 22 minutos cada um).  Na  Capital do Rio Grande do Sul o futebol de botão realiza campeonatos oficiais desde que um grupo de rapazes do bairro Cidade Baixa fundou a Sociedade Lima e Silva (1942).  O exemplo da nova  entidade esportiva frutificou, outros clubes surgiram e  hoje o " Futebotão " disputa troféus cobiçados.  As ilustrações  desta reportagem são flagrantes da partida decisiva do último campeonato de futebol de botão realizado em Porto Alegre.

Transcrição de reportagem da Revista do Globo de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, datada de 14 de outubro de 1950.

Reprodução do botonista Enio Seibert.  E-mail:  enioseibert@Hotmail.com

APRENDENDO  A SER UM CAMPEÃO


Começamos a fase dos grandes torneios e opens do botonismo em todo o território nacional.  As Ligas e Clubes estão agitados no cumprimento de seus calendários buscando os melhores de todas as categorias.  Haja flanelinha para lustrar tantos botões...
Cada um se prepara como pode.  Alguns treinam de vez em quando conforme podem,  enquanto outros fazem um esforço ainda maior, treinando de 2 a 3 horas por dia, buscando um  desempenho de excelência para os duelos do futmesa que muitas vezes, lembram as lutas dos grandes gladiadores.  E por falar nisto, você já viu uma partida de futebol de mesa entre dois campeões valendo o caneco ?  Se não viu, quando você  tiver o privilégio de ver vai entender o que eu quero dizer. 
E se já viu, sabe bem como tudo acontece quando as  cortinas se abrem para o espetáculo.
Sei que todos os esportes são levados a sério.  Mas  no futebol de mesa é incrível os níveis das disputas.  Como é tratado com seriedade um torneio.  E pensar que tudo começou como uma brincadeira inocente de criança...
É difícil até piscar quando os jogos se tornam eletrizantes e a disputa é apertada.  Existem jogos que são decididos em favor de quem erra menos, tamanho o aprimoramento das técnicas sobre o tablado verde.
Sabemos que não são todos que se tornam campeões.  Porém, acredito que a grande maioria deseja ser vencedor naquilo que se esmera em fazer bem.
Certamente que existem muitos campeões em muitas coisas boas neste mundo e que nunca foram reconhecidos, infelizmente.
São os campeões anônimos espalhados pelos becos e ruas das cidades.
No caso do futebol de mesa, a coisa  aperta sobremodo quando se joga um torneio, ainda que entre velhos amigos.  De um lado alguém que joga o simples e velho botão pelo prazer.  De outro lado da mesa alguém que tem a fama de ser matador, e que joga palhetando olhando para o troféu em  disputa.
É muito provável que a tensão invadirá o coração do botonista que se julga inferior e com menos gabarito para  vencer um talentoso campeão.  Em geral, é possível ver esportistas que entram para o duelo já derrotados.  O medo pode ser um adversário  bem pior que o botonista que está do outro lado da mesa.
Já ouvi relatos de botonistas que chegaram  ao cúmulo de enxergar os botões do adversário maiores, melhores, ou com a nítida impressão de se tratar de um  material invencível.
Nada disso !    Isto tudo não passa de efeitos colaterais de gente insegura, e que em competições de níveis elevados, acabam se manifestando de tal forma que não permite que um botonista desempenhe bem o seu jogo.
O medo cega e faz com que um competidor se retraia, enterrando seu talento e gerando um outro sintoma:  acuamento.
Bem, não existe uma fábrica de campeões.  Nunca vi uma academia especializada em formar vencedores, embora alguns insistam nisto.
Creio que é possível sim, desenvolver talentos e aprimorar técnicas.  E isto pode acontecer com qualquer um que realmente queira pagar os preços dos exaustivos treinamentos.
Conheci muitas pessoas durante minha vida.  Estou o tempo  todo tratando com pessoas e conhecendo seus corações.  Percebo que existem  pessoas que, por algum motivo, são mais determinadas que outras.
Em uma partida de futebol de mesa, valendo algum reconhecimento importante do meio, é possível perceber aqueles que  são mais determinados e aqueles que jogam a toalha da desistência sem oferecer o mínimo da resistência.
É claro que os treinamentos fazem a diferença.  Treinos e decisão de superação é dupla explosiva  para o sucesso.
Estou convicto de que existem  pessoas que tem algo mais dentro de si.  Talvez, quem sabe, foi a criação dentro do lar que lhes proporcionou um espírito vencedor.   Pais que foram  modelos para a perseverança.  As grandes lutas da vida podem ter contribuído em muito para que o gatilho da determinação fosse acionado dentro de uma determinada pessoa.  Outras pessoas, no entanto,  parecem mais frágeis  e não são determinadas.  Desistem com facilidade e fogem aos confrontos que são inevitáveis, dentro e fora do jogo.
No futebol de mesa é possível lidar  com essas fragilidades que são  típicas do ser humano.
Penso que as escolhas e as decisões sempre são nossas.  Por algum motivo recebemos em nosso ser a capacidade de  decidirmos como queremos ser.  Já o controle  quanto ao que seremos pode não estar totalmente em nossas mãos. 
Já vi gente " pequena " no futebol de mesa  enfrentando de igual para igual gente mais  capacitada.   Como pode ?   Pode, porque esta  pessoa  " pequena "  decidiu ser grande, e jogar  como gente grande.  Mas também já vi gente  " grande " agir como gente absolutamente incapaz, neutra.
Quando entramos em campo com nossos  botões pra lá de incrementados, decidamos ser  competidores determinados.   E se estiver levando uma goleada, não desista !   E sabe porque ?   Bem, como já  disse, existem muitos campeões que nunca foram reconhecidos.  Campeões sem medalhas ou sem troféus.  Isto não importa, botonista !    Só o fato de você enfrentar feras que você considera melhores do que você, e mesmo  assim, lutar de igual para igual, faz de  você um  grande campeão.  Ser honesto, respeitoso, para com o adversário e  competir com garra, já mostram  que você tem aquele algo mais dentro de  você.
Você verá que os seus oponentes terão que lhe respeitar por causa da  sua determinação.  O resultado  de uma partida pode não passar de um  simples detalhe, entendido ? 
Quanto a medalha... bem ... Penso que  ela já está em seu coração.  Por isso não  a despreze.   Mesmo que só você a veja.

Ricardo C. Meni
Jogador-botonista do Jabulani Futebol de Mesa na cidade de Jaboticabal - São Paulo.
www.jabulanifuteboldemesa.com.br
 
Texto reproduzido por Enio Seibert

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

PORQUE TAMBÉM SOU G.E.RENNER...

Renner, o 'Papão' que desbancou a dupla Gre-Nal em 54, deixa saudade

SporTV Repórter relembra a história do clube de Porto Alegre que na década de 50 desafiou colorados e tricolores, mas que hoje vive apenas na memória

 
 
Foram apenas 28 anos de vida, mas o suficiente para deixar muita saudade. Assim é a história do Grêmio Esportivo Renner, clube gaúcho de Porto Alegre que em 1954 fez frente à dupla formada por Grêmio e Internacional. Nascido em 1931, o Renner foi fundado por funcionários de um império industrial do Rio Grande do Sul para desbancar um dia o predomínio dos grandes clubes da cidade. Mas a história terminou em 1959, deixando uma legião de fãs. O SporTV Repórter relembra os detalhes da curta e inesquecível história (assista ao vídeo).
- A saída do Renner representava não só uma perda, mas um vazio que começava a acontecer e que certamente nós todos deveríamos buscar outras formas psicológicas ou terapêuticas de preencher esse vácuo. Foi difícil. Certamente muito gaúcho marmanjão chorou copiosamente. O Renner é produto de um bairro fantástico, que era proletário e passou a ser industrializado, um bairro que conseguiu buscar imigrantes de países da Europa formado por 17 etnias. Nós todos éramos meninos enfeitiçados pelo Renner - relatou o dentista e torcedor Sérgio Bechelli.
Renner campeão gaúcho de 1954 (Foto: Reprodução/ SporTV)Renner vestiu a faixa de campeão gaúcho em 1954, superando a dupla Gre-Nal (Foto: Reprodução/ SporTV)
Na casa do arquiteto e ex-mascote do time, Luís Carlos Macchi, o barzinho criado para receber os amigos funciona também como memorial, o último reduto do Renner na capital gaúcha.
- Tu pode trocar de partido político, pode trocar de religião, mas de time de futebol, não troca. E com 11 anos (ver o time ser extinto) é como perder alguém da família - relembra, ao lado de boletins da fábrica que traziam sempre inúmeras referências ao time, além de livros, quadros, vídeos e fotos do Renner.
- É muita frustração. A gente imaginava que ele fosse crescer mais ainda, além daquilo que a gente tinha feito. Se encerrou de uma maneira brusca, isso nos atingiu na parte emocional - diz Aristheu Penalvo, ex-zagueiro do Renner e xerife do time de 1954, que tinha na armação o talentoso Ênio Andrade, que mais tarde viria a ser um dos mais vitoriosos técnicos do país. No gol estava Valdir Joaquim de Moraes, ídolo do Palmeiras e com passagem pela seleção brasileira, além de um pioneiro na preparação de goleiros no Brasil.
Valdir de Moares, ex-goleiro do Renner em 1954 (Foto: Reprodução/ SporTV)
Valdir de Moares começou a carreira de goleiro no
gaúcho Renner (Foto: Reprodução/ SporTV)
- Essa camisa foi defendida com muito carinho, muito amor e muita união. Foi o início da minha carreira, que felizmente foi vitoriosa - disse Valdir de Moraes, ao lado de um dos precursores da medicina esportiva no país, e que também tem participação importante na história do Renner. Arnaldo da Costa Filho, aos 90 anos, ainda guarda a “maleta mágica”, como cita o ex-goleiro, a mesma que operava “milagres”.
- Naquele tempo não podia haver substituição e era muito comum, num choque cabeça com cabeça, um ferimento. Então, eu pegava meu jogador e fazia a sutura no campo e, em 10 ou 15 minutos, ele voltava, enquanto o adversário era levado para o pronto-socorro e, até que ele voltasse, terminava o jogo - relembra Arnaldo Filho.
Os jogos do Renner eram disputados nas esquinas das Avenidas Farrapos e Sertório, no bairro de Navegantes, onde hoje só resta um pequeno campo ao lado de muitos prédios, que ocuparam o antigo estádio Tiradentes. O caldeirão ganhou o apelido de Waterloo, em referência à batalha perdida por Napoleão Bonaparte na Revolução Francesa.
Bar de torcedores do Renner (Foto: Reprodução/ SporTV)
Casa virou bar e último reduto dos torcedores do
Renner (Foto: Reprodução/ SporTV)
- Lá todos os grandes perdiam para o Renner - diz, com orgulho, Luís Carlos Macchi. Em 1954, o Renner quebrou uma série de 14 títulos consecutivos de Grêmio e Inter e foi campeão gaúcho invicto. Nascia assim o “Papão de 54”, expressão que virou até título de um documentário sobre o clube.
E para quem pensa que a história do Renner se resume ao futebol gaúcho, seus torcedores vão bem mais longe e relatam que o hoje presidente americano Barack Obama só existe por conta do clube. No Havaí para uma pós-graduação, a mãe de Obama, Stanley Ann Dunham, assistiu ao filme Orfeu Negro, produção brasileira ao lado de França e Itália, e estrelado por Breno Mello, um dos artilheiros do Renner. A mãe de Obama se apaixonou.
- Ela procura um namorado que fosse o mais parecido possível com Breno Mello - garante o ex-mascote Luís Carlos Macchi. Obama ganhou o mesmo nome do pai. Coincidentemente, o filme foi lançado em 1959, último ano de vida do Renner.

Fonte: http://sportv.globo.com/site/programas/sportv-reporter/noticia/2013/11/renner-o-papao-que-desbancou-dupla-gre-nal-em-54-deixa-saudade.html


Reprodução de Enio Seibert
CADA BOTÃO TEM VIDA PRÓPRIA‏

A  Liga Valenciana se consolida e cada equipe dispõe de um estádio, escudo, uniforme, hino próprio e concentração,  um mini-compartimento próprio para depósito de seu material.
A Associação Valenciana de Futebol de Botões resiste de forma romântica, alheia à modernidade dos vídeo-jogos e aos ídolos das multidões.  Vinte e cinco equipes com jogadores de todas as idades, mantém viva uma afeição que transporta  seus protagonistas ao território mágico da infância e adolescência.
São 22 horas de  quarta-feira.  O silêncio das ruas de El Cabanyal e dos terraços dos bares somente é interrompido com os ecos das partidas da Liga, repercutindo  nos terraços dos bares.  Enquanto  isso,  na mesma hora, em uma planta baixa da rua Escalante, resistem os últimos românticos desse jogo apaixonante.
Preferem ignorar o jogo quase robotizado de Cristiano Ronaldo, ou as estocadas de vértice de Leo Messi.  Também a perfeição  tecnológica das consoles.  Tudo com o intuito de não renunciar a uma paixão " que nos devolve à infância ", como é o futebol de botões.  Ali no número 173 da rua Escalante, na cidade  espanhola de Valência, tem sua sede a Associação  Valenciana de Futebol de Botões.
 Um jogo que seria dificilmente concebido sem a arte de Pepe Aygues.  Com seus 62 anos, já  conta mais de 45 anos dedicando-se à arte de fabricar botões de competição, de material  clássico ( acrílico e poliéster ).  Em uma sala da própria sede tem instalada sua oficina:  < Não há dois botões iguais, nem tampouco dois botões que tenham a mesma função >.
Assim, os botões passadores tem a borda mais arredondada, diferente dos arremessadores ou dos levantadores, mais afilado.  Os goleiros ( porteros, como denominam os espanhóis ) são os botões  maiores, com diâmetro com  5,5 cm de diâmetro por 1,5 cm de altura, enquanto que a dimensão dos jogadores de campo não excedem os 4,5 cm de  largura.
Com paciência de ourives, Aygues molda  por encomenda e ao gosto do cliente-consumidor, os botões  ( e a cor das camisetas ) da maioria das 25 equipes,  divididas entre 1a. e 2a. divisões, que  a cada sexta-feira competem em tensas partidas oficiais.   A sexta-feira é o dia para treinar, jogar partidas oficiais e encontros amistosos.
<As pessoas  de fora do meio botonístico acreditarão que estamos loucos > aponta Carlos  Espada, treinador da equipe Cultural Futebotonística de Benimaclet >, porém, muito diferente do  " jogo de chapas ou tampas ", cada  botão tem vida própria >.  < Não são simples botões.  Como no futebol dos gramados, há defensores rudes, jogadores técnicos ou atacantes que  jogam   muito bem de cabeça >, prossegue Carlos Espada.  A superfície de  campo de jogo dos oito estádios disponibilizados na sede varia, segundo a aspereza maior ou menor de cada  um.  < Há um  par de estádios em que não posso escalar  meus melhores  botões-jogadores, por que não deslisam com  suavidade.   É como se jogássemos em  " Las Gaunas " >.
 
Nesses casos, às vezes colocamos pó de talco sobre a  mesa para recuperar a velocidade.  é  como se agente desse uma molhada no gramado de um campo de futebol, ilustra Carlos Espada, que a cada  sexta-feira se  acorda às 5 horas da madrugada para atualizar os resultados na página da web da associação e que criou inclusive uma página especial em blog para seguir acompanhando a sua equipe no campeonato.
A afeição por este esporte resiste,  apesar de que já vivemos épocas melhores.  < Nos finais dos anos 50 e  princípios  de 60 o jogo estava no auge, sobretudo na nossa rua e no bairro.  Durante o ano de 1988  se reativou, novamente.  Agora resistimos com a minoria de sempre >, disse Aygues, com  expressão  de resignação.
Como assegura Miguel Galindo, um dos jogadores mais veteranos, trata-se do único jogo capaz de  reunir < ao avô, pai e neto, as três gerações distintas >.  De fato,  o aspecto de idade entre  os participantes da Liga é muito  variado e amplo, desde os  76 anos de Pepe Sancho, treinador do decano Liverpool, até os 13 anos de Pablo Haro, o mais jovem  da turma que comanda a equipe de Polvorilla.
As partidas reúnem toda a  pompa e boato possíveis, cada jogador dispõe de estádio local, escudos, concentração, depósito próprio para guarda de material  e até uniforme próprio personalizado.  Alguns tem até hino próprio.  Os botões de Hispania escutam  antes de cada  confronto, desde  um aparelho gravador, o hino espanhol, para motivar-se.  Os nomes das equipes são variáveis e  se destacam a quantidade de denominações com referências ao  Levante UD, como Agostinet F.C., o Atlético Granota  o 1909.  < Não são maioria, porém nós valencianos/valencianistas não temos necessidade de recordar  que o somos >, replica com  bom humor Carlos Espada.
As partidas duram 40 minutos, divididas  em  duas metades de tempo de 20 minutos, mais os acréscimos.  Há um árbitro, cartões, expulsões, polêmicas.  As partidas acontecem e são jogadas com uma jogada/toque para cada  técnico-jogador, ao contrário das regras que predominam na Catalúnia - Região de Barcelona, onde cada botonista dispõe de até 5 toques, para favorecer o espetáculo.  <  É o guardiolismo de Pepe Guardiola transferido para o jogo de botões >, ironiza Galindo.
O treinamento acaba na quarta-feira e todos aguardam outro idílico  regresso à juventude na próxima semana.


Carlos Espada em ação

MATÉRIA TRANSCRITA E TRADUZIDA DO BLOG/SITE DA ASSOCIAÇÃO  VALENCIANA DE FUTEBOL DE BOTÕES.
PUBLICAÇÃO DE CARLOS ESPADA, BOTONISTA E CRONISTA DE FUTBOL DE BOTONES DE VALÊNCIA - ESPANHA.

TRADUÇÃO DE ENIO SEIBERT  -  E-MAIL:  enioseibert@hotmail.com    PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - BRASIL.
FRASES MOTIVADORAS E MÁXIMAS FUTEBOTONÍSTICAS


1. NÃO É GRANDE  AQUELE QUE NUNCA FALHA, MAS SIM, QUEM NUNCA SE DÁ POR VENCIDO.
2. SE NÃO TE ESFORÇAR ATÉ O MÁXIMO, COMO SABERÁS  ONDE ESTÁ TEU LIMITE ?
3. É DURO FRACASSAR EM ALGO, PORÉM, É MUITO PIOR NÃO HAVER TENTADO.
4. QUANDO TUAS PERNAS E TUA CABEÇA NÃO PODEM MAIS, TEU CORAÇÃO FARÁ O RESTO.
5. QUANDO DEIXAS DE LUTAR, COMEÇAS A MORRER. AS DIFICULDADES NÃO EXISTEM PARA FAZER-TE RENUNCIAR, MAS PARA FAZER-TE MAIS FORTE.
6. NOSSA GLÓRIA MAIOR NÃO CONSISTE EM NÃO HAVER CAÍDO NUNCA, MAS EM HAVER LEVANTADO SEMPRE DEPOIS DE CADA QUEDA.
7. A FELICIDADE SE ENCONTRA AO LONGO DO CAMINHO, NÃO AO FINAL.
8. A MELHOR MANEIRA DE MELHORAR TUA EQUIPE É MELHORAR A TI MESMO.
9. O MEDO ESTÁ SOMENTE NA MENTE.  QUEM TEME PERDER... JÁ ESTÁ VENCIDO !
10. OS CAMPEÕES CREEM EM SI MESMOS ATÉ QUANDO NADA  MAIS RESTA A FAZER.
11.PODE SER UM HERÓI O MESMO QUE TRIUNFA E O QUE SUCUMBE; PORÉM, JAMAIS SERÁ HERÓI O QUE ABANDONA O COMBATE.
12.A ÚNICA MANEIRA DE ALCANÇAR O IMPOSSÍVEL É ACREDITAR QUE É POSSÍVEL.
13. CHORA NO TREINAMENTO;  RIRÁS NO PÓDIO.
14. NUNCA DESISTAS DE UM SONHO.  QUEM DEIXA DE LUTAR POR SEU SONHO ABANDONA PARTE DE SEU FUTURO.
15. NÃO TENTES SER MELHOR DO QUE OS DEMAIS, TENTA SER MELHOR  QUE TU MESMO.
16. ALGUNS PENSAM QUE O TALENTO É QUESTÃO DE SORTE, OUTROS PENSAM  QUE A SORTE É QUESTÃO DE TREINAMENTO.
17. NO SOFRIMENTO E CANSAÇO DO TREINAMENTO ESTÁ  A MELHORA NO JOGO.
18. NÃO HÁ DISTÂNCIA QUE NÃO SE POSSA PERCORRER  NEM META QUE NÃO SE POSSA ALCANÇAR.
19. SE  CAIRES, TE LEVANTAS.  E  SE NÃO QUERES LEVANTAR-TE, AO MENOS, FAZ UMAS FLEXÕES.
20. SONHE O QUE QUEIRAS SONHAR.  VÁS AONDE QUEIRAS IR.  SEJAS O QUE QUEIRAS SER !
21. NÃO CORTES AS ASAS DE TEUS SONHOS PORQUE ELAS SÃO O QUE DÃO LIBERDADE A TUA ALMA. SE NÃO SONHAS, NUNCA ENCONTRARÁS O QUE HÁ MAIS ALÉM DE TEUS SONHOS.
22. A MAIOR SATISFAÇÃO NA VIDA É FAZER AQUILO QUE AS PESSOAS TE DIZEM QUE NÃO ÉS CAPAZ DE FAZER !

FRASES MOTIVADORAS, MENSAGENS FILOSÓFICAS E MÁXIMAS FUTEBOTONÍSTICAS APLICÁVEIS AO BOTONISMO, POSTADAS PELO CRONISTA, POETA, ESCRITOR E BOTONISTA MARCELO SUÁREZ GARCIA NO BLOG FUTBOL CON BOTONES Y REBOTE A BANDA, LA MARTINICA, LUARCA, ASTÚRIAS, ESPANHA.

TRADUÇÃO AUTORIZADA DE ENIO SEIBERT.  E-MAIL: enioseibert@hotmail.com    PORTO ALEGRE-RIO GRANDE DO SUL.
A opinião do Bávaro Cavador Ricardo Gothe 


 Quando perguntamos para a maioria dos botonistas qual o Troféu mais importante que já ganharam, invariavelmente a reposta é a mesma: “As amizades que conquistei no Futebol de Mesa”. É mais ou menos o lance aquele de miss em concurso com o Pequeno Príncipe, quando a pergunta se refere ao primeiro livro, livro que mais gostou ou de cabeceira.

O GOTHE CROMO GOL (Série que publicamos com muito sucesso contando a história de vários jogadores), e as entrevistas do STUDIO DE VERÃO, Conversa de STUDIO e hat-trick, não nos deixam mentir.

Será verdade ou é o conhecido politicamente correto (tão em moda por aí), fazendo suas vítimas também no nosso esporte ?

Claro que todos nós conquistamos um bom número de amizades jogando botão, até este Editor opinando há 10 anos sem rodeios no Gothe Gol e que não chega a ser tão amado assim, conquistou algumas boas amizades nos tablados.

Mas quem conhece o meio sabe que as rivalidades estão aí sempre latentes e que mesmo com uma boa dose de respeito, nos bastidores nada é completamente ameno como parece.

Os comentários sobre este ou aquele técnico nos “corredores” variam da admiração ao seu talento à crítica sobre sua conhecida soberba, do elogio à sua postura e honestidade a crítica sobre o seu jogo tecnicamente pobre, retranqueiro e de muita sorte, etc.

Quem não desse a lenha no cara que ganha tempo com o papel e o paninho passado na mesa a cada jogada ? Ou aquele que com a vantagem coloca a bola no fundo, atrás da linha defensiva do adversário ? Ou do outro que não chuta com o receio do rebote de goleiro voltar ao seu campo e por aí vai ?

Sempre que o ano vai chegando ao fim, nas redes sociais vão surgindo nas fotos as prateleiras repletas de troféus (até de vice) de incontáveis jogadores. Uma rápida passagem pelos mais diversos perfis e contabilizaremos mais imagens de “craques” segurando troféus do que abraçados aos amigos, “seus maiores prêmios”, ou até imagens suas nas mesas jogando.

Entra campeonato e sai campeonato e nos encontros sobram sorrisos, abraços acalorados e os tradicionais, tapas nas costas, de extrema saudação ou saudade. Já na mesa vem um “golaço” bem gritado, mirando o adversário fraterno, isso quando o gol não termina em um peixinho ou outras pirotecnias da arte de afundar o oponente, mesmo que às vezes o jogo não termine tão bem assim.

Como não desconfiar de quem é amigo de todo mundo ? Isso é mais ou menos como não se ter de fato aqueles sólidos amigos (os chamados de verdade, que se contam nos dedos de uma única mão), ou pior, dar a nítida sensação de que não se possui opinião sobre coisa alguma só para se preservar no meio, o que é claro, soa bastante falso de qualquer modo.

Não é mais interessante dizermos a que viemos e que queremos ganhar e que ganhar é fundamental e importante, mas que assim mesmo é possível respeitar a todos, ter as amizades e até tomar juntos aquela cerveja gelada ?

Alguém já viajou 500 quilômetros para jogar uma competição, gastou com passagem ou combustível, inscrição, alimentação e hospedagem, justamente porque não intenciona ganhá-la, nem que seja num fio de esperança ?

O Futebol de Mesa não difere em nada de outros esportes e seus ambientes e em nada de outros espaços e atividades que “contenham” seres humanos. Há lá intensas disputas e rivalidades, secação pura, invejas, amizades, euforia, orgulho, soberba, fidalguia, solidariedade, tudo de bom e de ruim que conhecemos em qualquer relação social.

Ok, por um longo tempo em alguns lugares tentaram vender que o Futmesa é composto de gente perfeita, com um paraíso de disputas “intactas” e churrascos “confraternizantes”. É verdade, tem isso também e que bom que tenha.

A compreensão disso não impede que se possa olhar com muita graça quando o pessoal se encontra para torneios e competições e trocam “mimos” de todo tipo, amores que após também surgem nas páginas de sites, blogs e das redes sociais, paixões pelo espírito desportivo, públicas.

Alguém já reparou nas redes sociais como a vida é perfeita ?

Lá estão todos defendendo aquilo que o senso comum chama de correto em todos os campos, ou pelo menos a tendência da vez.

Na verdade, vamos combinar, quase sempre é difícil ver alguém sorridente numa foto do quarteto premiado que não seja o Campeão, ou aquele 4º colocado que nem imaginava passar da primeira fase.

Por isso gostei muito do que expressa a foto do quarteto premiado numa das últimas competições dos cavados disputada no interior do Rio Grande do Sul em 2013 e que publicamos num BREAKFAST, quando postamos um SCOUT daquela temporada. Nela há um técnico sincero (dele se “ouve” o silêncio), visivelmente chateado por não ter sido o principal vencedor, um técnico que poucas horas depois se desculpou pelo resultado no Facebook, e que mesmo acostumado a ter muitas e sinceras relações no Futmesa, não sairia de forma alguma sorrindo daquele torneio da maneira como o torneio terminou, mesmo que embaixo do braço levasse para a sua prateleira o “principal prêmio”, mais uma meia dúzia de novas amizades.