JOGO DE BOTÃO

JOGO DE BOTÃO
JOGO DE BOTÃO

domingo, 21 de abril de 2013

Pedaços de Acrílico, por Mateus Pierobom
O Dia em que a Terra Parou.

Eram passados 24 dias do mês de março do corrente ano na acolhedora cidade de Caxias do Sul. Um jovem talentoso, sonhador, dedicado e ambicioso deixaria de ser "simplesmente" um botonista já consagrado e de 1º escalão para se tornar uma lenda, um mito, daqueles que somente se apresentam a cada 50 anos e que são lembrados por toda eternidade.

Foi vontade de Deus me dar o privilégio de tê-lo como um de meus melhores amigos, como irmão. No dia anterior (1a fase) daria a primeira demonstração de sua vitoriosa caminhada no torneio enfrentando sem vantagem de empate um excelente botonista da Bahia. Ao final do 1º tempo, aos 25 minutos cravados, faria um gol boníssimo, um tiro de média distância, com seu centro-campista ao lado direito, chute de corte, grau de dificuldade altíssimo, 30 pessoas ao redor da mesa, silêncio: O Cara vai chutar. Após habitual concentração sai em disparada o centro-campista, rumo ao improvável, para percorrer boa distância, acertar o corte e arremessar sobre o goleiro. Em questão de segundos a utopia se torna realidade, a bola entra com perfeição, como se tivesse traçado aquele caminho a vida toda, e de tanta naturalidade parecia fácil. Gol do Cara.

Após, viria a enfrentar um dos grandes nomes do Futmesa Gaúcho, botonísta em extrema ascendência nos últimos anos. Grande talento. Ao empatarem em jogo disputadíssimo sem gols, conseguira assegurar a "vitória" ganhando nas penalidades.

Tivera ainda pelo caminho em outro confronto com uma fera gaúcha, e que enfrentar uma grande barreira, o fato de seus atletas simplesmente não andarem e terem de serem todos substituídos antes do início do confronto. Mesmo com o time "reserva" conseguira passar de fase com boa vitória, agindo sempre com muita frieza e concentração.

Enfrentaria em fase já avançada excelente atleta sergipano, o qual acabou tendo a infelicidade de fazer um gol contra e teve de sucumbir à frieza e determinação de nosso guerreiro.

Em fase semifinal enfrentaria nada mais nada menos do que o atual campeão Brasileiro, um monstro de poderes sobrenaturais, joga como poucos. Atuando com maestria, nosso combatente foi ao limite da frieza e da categoria, conseguindo histórica vitória sobre um dos maiores nomes do nosso querido "esporte".

Estaria após o término da partida, mais uma vez (como já fizera em 2010) diante de um título inédito para os gaúchos, um título Brasileiro. Quis o destino que o adversário fosse um dos melhores botonistas da atualidade, um baiano de jogo limpo, vistoso e atraente. Logo nos primeiros minutos da primeira etapa, nosso combatente, junto com toda torcida do Rio Grande do Sul, já teve amostras da dificuldade que seria segurar o ímpeto de um baiano arretado, que jogando o fino da bola simplesmente a escondeu de nosso combatente. Como num ato de mágica, fez com que nosso guerreiro não enxergasse a bolinha branca, fazendo de um tiro de meta um chute à gol em apenas uma jogada.

Após 2 chutes à gol com o ponta esquerda, o baiano se prepara para o 3º chute, quando brilha a estrela de nossa Lenda. Eis que o goleiro defende, e mais, lança para o ataque, e mais, a bola bate no zagueiro e cai no meio da área adversária. E mais, senhores, o cara de quem estou falando chama-se Marcelo Vinhas, da Academia de Futebol de Mesa. Aquela bola, amigos, jamais deixaria de entrar. Com precisão cirúrgica adentra as redes adversárias e abre caminho para um 2x0 extraordinário na grande final.

Neste momento a terra parou, o vento parou e o sol esfriou. Por um instante o som deixou de existir. Sim, senhores, meu amigo, meu irmão Marcelo Vinhas sagrou-se campeão da Copa do Brasil, tornando-se a maior lenda gaúcha no esporte na modalidade liso. Mostrou a todos a camisa da sagrada Academia de Futebol de Mesa no topo, no ápice. Orgulhando não só uma entidade, mas uma nação de gaúchos apaixonados e delirantes pelo futebol de mesa. Nós da Academia de Futebol de Mesa temos o orgulho de ter entre nós um campeão do Brasil, em nossa sede, situada à rua Gal. Neto em Pelotas, onde desfila extrema categoria de fino jogador, uma relíquia, abençoada agora pelo Deus do Brasil.

Merecedor de tudo que já antes conquistara. Agora nós carregaremos no peito esta imensa estrela de um título Brasileiro, colocaremos nas mesas nossos times com ainda mais orgulho pelo seu feito inédito. Após a conquista, com um abraço apertado em nosso guerreiro, surge um instante de lágrimas de emoção, quando ouvi do campeão com voz tremula: "É nosso". Me veio à cabeça o "longíquo" início dos anos 90, quando ainda crianças e sem qualquer compromisso com a vida, nos reuníamos aos domingos para jogar botão, sonhando um dia poder disputar com os melhores. Conversávamos horas ao telefone definindo a tática do próximo jogo. Anos e anos de dedicação, de treinamentos que agora se tornaram realidade, se transformaram em um título que vem para coroar o grande trabalho feito per uma pessoa extremamente dedicada e merecedora e, também, feito pela Academia de Futebol de Mesa.

Obrigado Marcelo Vinhas. É Nosso!
 
 
Matéria reproduzida por Enio Seibert- enioseibert@hotmail.com

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