JOGO DE BOTÃO

JOGO DE BOTÃO
JOGO DE BOTÃO

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

 O ÚLTIMO GOL DE LENINE

O menino Lenine Macedo de Souza nasceu na rua Lima e Silva, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, na década de 30. Em 1940, tomou conhecimento do jogo de Futebol de Botões ao ler uma reportagem nacional do Papa do botonismo brasileiro, Jornalista, corretor de seguros e publicitário Geraldo Décourt, na revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, que circulava em todo o país, divulgando um novo esporte-hobby que surgia e que passava a ter grande divulgação na imprensa escrita, fato que granjeou grande aceitação dos jovens da época, pois era um período entre as duas grandes guerras mundiais, com muita carência em opções de lazer, passatempo e diversão.

Contribuiu muito para a rápida assimilação do novo jogo, além da semelhança com o futebol de campo, o equipamento básico necessário, utilizado na época, serem os botões de vestuários, adaptados com os devidos lixamentos, principalmente em suas bordas laterais, geralmente arredondadas e que necessitavam serem limados, nivelados e adaptados com ângulos de inclinação propícios para arremates com levantamento da bola sobre o goleiro e melhor deslisamento da sua base e partes baixas, na superfície das mesas de madeira que começavam a ser utilizadas, substituindo os pisos das casas.

Em Porto Alegre e no estado do Rio Grande do Sul, a fundação da Fábrica de puxadores Scharlau que disponibilizava diversos tipos de acessórios de plástico galalite para puxadores de móveis (armários, escrivaninhas, roupeiros, cômodas) acabavam transformando-se em jogadores, pois vinham praticamente prontos para uso como botões de jogo, necessitando, geralmente, mínimos lixamentos para imediata utilização nos estádios de futebol de mesa.

O jovem Lenine funda, em seguida, com amigos, companheiros e colegas de colégio, a Associação ou Sociedade Lima e Silva, destinada à prática exclusiva do Futebol de Botões de Mesa e que passa a divulgar, sistemáticamente, na imprensa gaucha (Folha da Tarde Esportiva e Revista do Globo ), adotam as regras nacionais do Futebol Celotex divulgadas por seu criador Geraldo Décourt, fazem as adaptações e inovações para deixar a regra mais atraente e competitiva, e iniciam seus campeonatos na sede caseira do páteo da residência da família à rua Lima e Silva, no. 268, com cerca de 20 companheiros adolescentes na faixa de 10 a 15 anos.

Nos anos 40 Lenine e seus amigos desenvolveriam a partir da Regra de Futebol Celotex ( 1 toque somente para cada jogador ), as bases embrionárias da futura Regra Gaucha, oficializada em 1961, com a fundação da primeira Federação oficial brasileira de Futebol de Mesa em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, regulamento básico que geraria junto com a Regra Baiana ( também de 1 toque para cada técnico, como a Regra Gaucha, com algumas opções de jogadas alternativas de dois lances nos laterais cedidos, escanteios cedidos e infrações/faltas indiretas, ou seja, as acontecidas no campo defensivo de uma equipe ), e a Regra Brasileira em 1969, na famosa, polêmica e controversa reunião de Salvador, Estado da Bahia, promovida entre gauchos e baianos, constituindo-se efetivamente na primeira tentativa de criar uma regra única com a denominação de regra nacional (nome oficial de registro da Regra Gaúcha).

Com as Regras Gaucha ( pioneira das oficiais no Brasil ), a Regra Baiana ( consolidada no Estado da Bahia e região Nordeste brasileiro e a nova Regra Brasileira, todas praticadas em 1 toque básico para cada jogador, juntamente com a Regra Paulista, então jogada em 3 toques para cada técnico ( inclusive com a participação e concordância de Geraldo Décourt, domiciliado em São Paulo-SP ) e a Regra Carioca/Confederada, (fundada no Rio de Janeiro e Brasília, por botonistas dissidentes da Regra Baiana/Brasileira, igualmente jogada em 3 toques), com a grande novidade da introdução do passe ( tabelamento entre dois botões ) com a bola em jogo ( semelhante à sistemática do regulamento praticado na Espanha e até certo ponto, similar à maneira de jogar na Hungria e paises do Leste Europeu), surgiria no Sul do Brasil nos anos 80, no Ginásio Gigantinho do S.C.Internacional, a Regra Unificada de Futebol de Mesa, procurando contemplar e conter na sua sistemática de jogo," os pontos fortes " das principais regras praticadas, até então, no Brasil e na Europa.

A Regra Unificada, disponível no blog www.botonismo.com.br, já está traduzida e disponível em língua inglesa e brevemente, também versionada para o espanhol, é jogada basicamente em 1 lance para cada jogador, mas com a opção da realização do passe ( tabelamento da bola entre dois botões ) quando o técnico da equipe tem direito a jogar pela segunda vez ( que será a última, porque não é permitido jogar tres vezes consecutivas ).

Trata-se de uma proposta concreta de unificação das regras do jogo de futebol de botões de mesa no Brasil, Américas e Europa, objetivando a realização de campeonatos inter-continentais e mundiais nos próximos anos, numa regra única, divulgada no mundo inteiro pela Internet, disponível e acessada por todos os botonistas antigos em atividade, atuais novos botonistas praticantes e futuras novas gerações de jogadores do futebol de botões dos sonhos.

O desejo e sonho do menino pioneiro Lenine já no distante ano de 1940 era a utilização de uma regra única para todos os jogadores praticantes, conforme texto reproduzido no livreto da Regra Oficial registrada em Cartório de Títulos e Documentos de Porto Alegre, em 1961, na homologação de fundação da Federação Riograndense de Futebol de Mesa.

" Será de aplicação imediata em todo território confiado á sua jurisdição e a partir desta data, a primeira Regra Nacional do Jogo de Futebol de Mesa, cujo teor vai, a seguir, descrito.
Todas as Federações, Ligas e entidades esportivas que se vierem a organizar no Brasil, com o objetivo de praticar o futebol de mesa, ficarão, igualmente, a ela vinculada, desde a respectiva fundação. Porto Alegre, 09 de agosto de 1961. Lenine Macedo de Souza - Presidente. "

Infelizmente, quiz o destino que tres derrames vasculares cerebrais, levassem Lenine precocemente para outra dimensão espiritual, deixando-nos a herança do seu trabalho, a obra e o idealismo que acompanhou e pautou suas realizações durante a vida inteira dedicada à organização e regulamentação do Futebol de Botão de Mesa.

Ainda temos gravado na lembrança aquele que pode ter sido o seu último gol em vida terrena, quando já parcialmente debilitado pela doença que lhe acarretara sequelas, marcamos e realizamos um jogo de futebol de botões em meu " estádio " na minha residência, mesa em que marcou um verdadeiro golaço de escanteio, em um só toque fazendo rebater a bola que estava praticamente colada no seu jogador, impulsionando a bolinha contra um defensor da minha equipe, jogando a mesma sobre o meu arqueiro, indefensável... Ainda recordo e lembro como se fosse hoje, a alegria e o sorriso estampado no seu rosto com o gol marcado no final do nosso jogo, apesar do resultado de 5 x 1 contra a sua equipe.. Ele conseguira o gol de honra, o gol mais bonito da tarde esportiva. Despedida de gala das mesas de futebol de botões, pois nos meses seguintes ficaríamos sabendo por seus familiares e companheiros de esporte do passamento de Lenine. Aquele " gol de placa " tinha sido realmente, O ÚLTIMO GOL DE LENINE !...

Não lembro bem a razão do amigo Lenine, meu eterno ídolo pelo trabalho realizado durante toda a sua vida, em prol do nosso amado jogo de Futebol de Botões de Mesa, ter deixado comigo sua caixinha de botões, com o time titular que jogara comigo, algumas horas antes. Algum dia, se Deus quiser, organizaremos um Memorial ou Museu Lenine Macedo de Souza, quando aqueles seus botões poderão ser vistos e admirados por todos os botonistas visitantes, além de conhecer um pouco da história deste grande idealista organizador do nosso esporte preferido.

Enquanto isso, companheiro e amigo Lenine, sua memória continuará sendo preservada por todos nós, seus continuadores de luta e ideário futebotonístico.

TEXTO DE ENIO SEIBERT - BOTONISTA E PRINCIPAL MENTOR DA REGRA UNIFICADA DE FUTEBOL DE MESA. E-mail: enioseibert@hotmail.com
Blog brasileiro e internacional: www.botonismo.com.br - Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil - Fone ( 51 ) 32260085.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Vivo en Argentina - Cine - Cracks de nácar - 25-01-13
Entrevista concedida por diretor e protagonista do filme Cracks de Nácar à TV pública Argentina

 
 
"Futbol de botones" (R.Berruti y A.Drimer) 
Trilha sonora: Tango Lungo
 
 
CRITICA- Cracks de nácar
 
Cracks de nácar (2011) es un documental sobre un inusual deporte: el fútbol de botones. Pero también es la posibilidad de ver a Rómulo Berruti y Alfredo Serra, reconocidos periodistas del medio, protagonizar una película y exponer sus carismáticas personalidades.El fútbol de botones es un deporte con varios practicantes. Lo que nadie se imagina es que entre sus aficionados se encuentran nada menos que el co-conductor de “Función Privada” Rómulo Berruti y el corresponsal de guerra Alfredo Serra. Dos personajes tanto en la pantalla como en su vida privada, donde el whisky y el hobby de botones son cosa seria.
Los directores Daniel Casabé y Edgardo Dieleke, encuentran un extraño tema, digno de una película, y a los personajes que la narren, dignos de una catarata de anécdotas propias de los cuentos asombrosos de Steven Spielberg. Con ese material, consiguen un documental ficcionalizado magnífico, creando un tono desopilante acorde a sus protagonistas.
La fusión entre documental y ficción se desprende del tema mismo del film: Dos tipos reales que consideran a sus botones craks de fútbol, incluso inventándoles biografías extraordinarias, no es más que la ficcionalización de una realidad. Justificado por una frase del poeta argentino Raúl González Tuñón, lo fantástico no deja de ser increíble pero necesario para el universo de estos periodistas que hacen del juego una utopía sumamente atractiva.
Además de contar con dos personajes de una oralidad encantadora, que bien pueden sostener el ritmo de un relato y hacerlo interesante, los directores contaron también con tres elementos fundamentales para convertir su idea en una muy buena propuesta: La música, compuesta casi en su totalidad originalmente para el film, las animaciones de las distintas secciones del relato, que le dan ritmo y frescura a lo narrado y un montaje preciso y dinámico que no permite caer nunca en la saturación.
Cracks de nácar sigue de esta manera la línea de documentales que coquetea con la ficción para darle ilusión al tema representado, promoviendo la gracia y el tono justo para descubrir, conocer y hacerse amigo de todo ese universo extraordinariamente real que plantea.

Fonte: http://www.escribiendocine.com/criticas/botones-whisky-y-periodismo



Daniel Casabé y Edgardo Dieleke: El maravilloso mundo del fútbol con botones


En una extraña suma de elementos, Cracks de nácar (2011) es una película docu-ficcional de humor que registra el magnético universo de anécdotas de Rómulo Berruti y Alfredo Serra -consagrados periodistas y amigos de toda la vida- y su particular afición por el fútbol de botones. En entrevista exclusiva para EscribiendoCine, los directores Daniel Casabé y Edgardo Dieleke cuentan el trasfondo de esta realización que, sin ir más lejos, también es el relato sobre su propia amistad.
¿Cómo nació la historia de Cracks de nácar? ¿Y cómo surgió el encuentro entre Rómulo Berruti y Alfredo Serra, hitos del periodismo, para protagonizarla?
Daniel Casabé: La historia de Cracks de nácar nació muchos años atrás. Yo vivía con mi madre (Mara Sala, quien aparece en la película) y con Alfredo Serra, mi padrastro. Rómulo Berruti, íntimo amigo de Alfredo, iba todos los sábados de cada mes (y lo sigue haciendo) a encontrarse con Alfredo para jugar al fútbol con botones. Y después de cada partido, se siguen juntando a tomar unos whiskies y a charlar de la vida, compartiendo anécdotas de periodismo, discutiendo películas y libros o simplemente repasando recetas de nuevos tragos. Con Edgardo Dieleke (un hermano para mi) quedamos cautivados por ese oculto y fantástico mundo que ellos mismos generan. Y sobre todo por sus relatos; son dos grandes narradores, que logran captar la atención de cualquier espectador que comparta una bebida con ellos. Y eso es justamente una de las sensaciones primarias que nos impulsó a realizar esta película: llevar este mundo y estos personajes, escondidos hasta ahora en un departamento, al espectador.
¿Cómo fue que Uds. conocieron este particular juego como es el fútbol de mesa?
Edgardo Dieleke: El juego estaba al alcance de Daniel primero, porque vivía donde se jugaba. Acá Daniel no lo dijo, pero él además jugaba, y mejor que Rómulo y Alfredo. Luego nosotros investigamos dónde más se juega, pero la verdad es que más que el fútbol en sí, nos interesaba qué es lo que construían Alfredo y Rómulo con el juego. Cuando vean la película van a darse cuenta de que más allá de un juego extraño, lo más increíble es el mundo que Alfredo y Rómulo construyen en torno al juego: inventan vidas a los botones, les ponen nombres e historias de vida, en fin, son personajes.
Cracks de nácar comparte elemento del documental, los periodistas aficionados por este deporte, que hacen a la vez de protagonistas, cuentan anécdotas de sus oficios e historias de su vida mientras sus miradas lanzan guiños cómplices a cámara, y también de la ficción, en ella aparecen conflictos, como la pérdida de una pieza con dotes magistrales, que aportan dinamismo y mucho humor a la historia. En este sentido, ¿cómo decidieron abordar el trabajo de guión?
D.C.: Nosotros conocíamos todos los relatos de Alfredo y Rómulo que aparecen en la película, por haberlos escuchado muchas veces en distintas oportunidades. A partir de ahí, el desafío era lograr que ellos se sintieran cómodos, al punto casi de ignorar la presencia de la cámara, para soltarse y volver a contar las anécdotas que nosotros les pedíamos. Y tratándose de una película que trabaja, entre otras cosas, sobre el engaño, la ficción fue una herramienta que nos sirvió para engañar tanto a Rómulo y a Alfredo, como al espectador. El mundo que ellos generan ya se encuentra en un juego entre lo documental y la ficción, y eso mismo queríamos llevarlo al relato. Por lo tanto, la estructura de la película contaba con una base de registro documental que necesitaba impulsarse con mecanismos de ficción que iban a generar otros momentos de registro documental. La desaparición de Bordenave (botón) es un ejemplo: Alfredo se desespera por la pérdida de su crack, justo antes del esperado desafío. Por supuesto, en una película de estas características, es inevitable que el guión se termine de trabajar en la etapa de montaje. El trabajo de montaje realizado junto a Andrés Pepe Estrada (gran montajista) fue la clave de la estructura narrativa y el complemento necesario de un guión de estas características.
Además del juego de mesa, Cracks de nácar también narra lo más íntimo en la vida y en la amistad compartida por estos protagonistas. ¿Fue algo que surgió a partir del atractivo “anecdotario” de los actores o todo se ajustó a un libreto previo al rodaje?
E.D. y D.C.: En realidad uno de los desafíos y quizás lo que más nos interesaba era ver cómo hacer para volcar en el cine una situación en principio anti-dramática por definición como una conversación de amigos. Lo que más queríamos era conseguir establecer un paralelo entre el modo que tienen ellos de contar historias personales o anécdotas con la manera en que se toman el juego. Si bien las anécdotas son ciertas, todas están cargadas de un gran manejo de la oralidad y de la exageración, como toda buena anécdota. Hay mucho de la ficción en el modo en que ellos cuentan esas anécdotas: hay suspenso, desvíos, puesta en escena. Del mismo modo, cuando hablan de su juego y de sus jugadores estrella, como Bordenave, lo que aparece allí es un espíritu lúdico que queríamos transmitir al espectador. En ese sentido, sabíamos algunas de las anécdotas y la clave era conseguir organizar el relato de la película de un modo que excediera lo meramente observacional, para captar la verdad de los personajes también a partir de ciertas licencias.
En la estructura general de la película, el humor es el tono fundamental de los diálogos y también en el uso de las imágenes, tal como sucede en la explicación sobre la mecánica del fútbol de botones donde hay una retoma irónica de los tutoriales, los manuales de uso hiper-explícitos o el estilo radiofónico del relator deportivo. ¿En qué otros estilos narrativos se inspiraron para encontrar un estilo propio en la realización de la película?
E.D.: Quisimos que la película alternara esos registros algo anticuados pero en tono paródico, para que el peso de las anécdotas no se volviera solemne. Por que si bien los personajes hacen una defensa de su juego, y en algún sentido una recuperación de otro modo de vida, con los estilos más paródicos como los relatos o las falsas anécdotas de los jugadores, intentamos quitar los elementos de solemnidad que podía tener el relato en su conjunto. En definitiva se trata de un juego, y de personajes que pueden reírse de ellos mismo, y nosotros queríamos también reírnos un poco de lo que estábamos haciendo. Hay que recordar además que es un juego muy lento, son noventa minutos de botones moviéndose en una mesa.
Uno de los elementos que decidimos plantear fue la idea de un desafío: estos amigos que juegan hace 50 años, finalmente tienen dos contrincantes, brasileños, que vienen a desafiarlos. El desafío entonces era una forma que nos permitía ficcionalizar un poco el documental, y hacer entrar otro estilo. En cuanto a otros géneros, las escenas que tienen lugar en el bar de la casa de Alfredo, donde está la cancha, es algo que decidimos filmar de un modo más observacional, con la menor cantidad de cortes posibles. De hecho, hay charlas bastante extensas, por lo que aquí confiamos en lo que tenían ellos para decir, más que en imponerle un género o un estilo extraño a la propia forma de esos relatos.
De alguna manera, este modo de explicación cuasi-fenomenológica de las prácticas humanas, algunas interpretadas como juegos infantiles o rituales caprichosos, me recordó a Balnearios (2002) de Mariano Llinás, en el uso del humor irónico. ¿En qué films pensaron al momento de realizar Cracks de nácar?
E.D.: Balnearios nos gustó mucho, y es cierto que hay algo del tono irónico que se puede relacionar con esa película. Yo diría que la diferencia radica en que acá intentamos no explicar la pasión, la idea, como decía era intentar establecer una continuidad entre el juego y las charlas de los amigos. Podría decirse que uno se define por el modo en que juega, a cualquier cosa, no solo al fútbol de botones. Después, en cuanto a qué films pensamos, la verdad es que no trabajamos con muchas referencias. Con Daniel compartimos el sentido del humor, supongo que es una de las principales razones por las que nos hicimos amigos y co-directores. Entonces, más que recuperar otros films intentamos llevar algunos elementos que a nosotros nos divierten. Sí te diría que en las partes de las anécdotas teníamos presentes algunas películas del brasileño Si bien él en general mantiene un diálogo en cámara con sus personajes, hay una afinidad en el aspecto de buscar la verdad y la humanidad de los personajes en los aspectos supuestamente más banales, como el juego o en el modo de construir la oralidad.

Fonte: http://www.escribiendocine.com/entrevistas/daniel-casabe-y-edgardo-dieleke-el-maravilloso-mundo-del-futbol-con-botones


Postagens de Enio Seibert- enioseibert@hotmail.com no novo blog brasileiro de futebol de botões www.botonismo.com.br

Documentário leva a magia do futebol de botão para a Itália

RIO — Após alguns toques curtos, o jogador olha para o goleiro, ajeita a palheta e avisa para o adversário: “Vai pro gol”. Relembrada com saudosismo por quem viveu intensamente os torneios informais na infância, o futebol de botão é também levado a sério dentro e fora do Brasil. Neste sábado, a Itália será apresentada ao jogo na tela de cinema através do documentário “Vai pro Gol” (Confira o trailer exclusivo para O GLOBO). O filme será exibido no 30º Milano Internacional Ficts Fest, que reúne produções de esporte feitos para cinema e televisão, em Milão, na Itália.
Dirigido de forma independente por Felipe D’Andrea, o documentário traça um panorama da brincadeira encarada também como um esporte. Diretor de filmes comerciais, ele se interessou pelo tema após assistir uma reportagem sobre um dos campeonatos organizados pela Federação Paulista de Futebol de Mesa. Dois anos depois, não tem arrependimento por ter investido seus finais de semanas no “mundo do botão”.
— Imaginava que o jogador seria aquele sujeito que gosta muito de futebol, da mesma faixa etária e classe social — confessa. — Mas não é isso. A única coisa em comum é a paixão pelo futebol e, na maioria dos casos, a incapacidade de jogar futebol. É no botão que ele bota toda a magia.
Em Milão, Felipe D’Andrea vai apresentar uma versão de 22 minutos do filme. A versão original tem 47 minutos e foi produzida como o objetivo de ser vendida para a televisão.
— Fui bastante para o lado pessoal, tentei entender a relação dos personagens com o futebol de botão e esse fanatismo — explica Felipe, que fala sobre o que encontrou nesta busca. — A primeira foi a paixão pelo futebol. A segunda é a saudade da infância. Isso todos eles têm. Eles gostam de falar da época de criança, que pegavam tampa do relógio e iam jogar na rua.
O cartunista Mauricio de Sousa, o publicitário Washington Olivetto e o músico Wilson Simoninha estão entre os entrevistados. No entanto, a maioria dos personagens do filme são anônimos, como um jogador que, quando menino, acreditava que ser bom no futebol de botão traria seu pai de volta. Hoje, trabalhando como juiz do trabalho, conta que aquele tinha sido o último presente que recebeu antes de seu pai sair de casa.
A brincadeira está morrendo?
Os personagens do filme, quase todos com mais de 30 anos, mostra como a brincadeira é cada vez menos popular entre as crianças.
— O botão era brincadeira de rua, mas hoje está morrendo — lamenta Felipe, que se interessou pelo jogo durante as filmagens e que já tem seus próprios jogadores de botão. — As crianças atualmente não têm mais ruas para brincar, não vão mais para a casa dos amigos. Trocaram isso tudo por videogame.
Vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol de Mesa (CBFM), Marcelo Lages concorda com a percepção de Felipe D’Andrea de que o jogo é cada vez menos praticado pelos jovens. Ele crê, no entanto, no fascínio que os botões podem exercer nas crianças.
— A garotada prefere jogar videogame do que um futebol de mesa, em que tem que se organizar, conseguir um adversário. No videogame, você aprende um macete e vai fazer o mesmo gol umas 50 vezes. No futebol de mesa, pode fazer dali uma vez, mas o adversário vai perceber e marcar. Quando você consegue mostrar isso para a garota, elas se encantam — garante.
Além de comprar um time de botões, quem quiser levar mais a sério o futebol de botão pode procurar informações junto à CBFM (www.cbfm.esp.com.br) e à Federação de Futebol de Mesa do Estado do Rio de Janeiro (http://www.fefumerj.com.br/).


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/documentario-leva-magia-do-futebol-de-botao-para-italia-6946705#ixzz2KiKBJy91


Postagem autorizada para reprodução a Enio Seibert- enioseibert@hotmail.com
APRENDENDO A SER UM CAMPEÃO


Começamos a fase dos grandes torneios e opens do botonismo em todo o território nacional. As ligas e clubes estão agitados no cumprimento de seus calendários buscando os melhores de todas as categorias de 2011. Haja flanelinha para lustrar tantos botões...
Cada um se prepara como pode. Alguns treinam de vez em quando conforme podem, enquanto outros fazem um esforço ainda maior, treinando de duas a três horas por dia, buscando um desempenho de excelência para os duelos do futmesa que muitas vezes, lembram as lutas dos grandes gladiadores. E por falar nisto, você já viu uma partida de futebol de mesa entre dois campeões valendo o caneco? Se não viu, quando você tiver o privilégio de ver vai entender o que eu quero dizer. E se já viu, sabe bem como tudo acontece quando as cortinas se abrem para o espetáculo.

Sei que todos os esportes são levados a sério. Mas no futebol de mesa é incrível os níveis das disputas. Como é tratado com seriedade um torneio. E pensar que tudo começou como uma brincadeira inocente de criança... É difícil até piscar quando os jogos se tornam eletrizantes e a disputa é apertada. Existem jogos que são decididos em favor de quem erra menos, tamanho o aprimoramento das técnicas sobre o tablado verde.

Sabemos que não são todos que se tornam campeões. Porém, acredito que a grande maioria deseja ser vencedor naquilo que se esmera em fazer bem.

Certamente que existem muitos campeões em muitas coisas boas neste mundo e que nunca foram reconhecidos, infelizmente. São os campeões anônimos espalhados pelos becos e ruas das cidades.

No caso do futebol de mesa, a coisa aperta sobremodo quando se joga um torneio, ainda que entre velhos amigos. De um lado alguém que joga o simples e velho botão pelo prazer. Do outro lado da mesa alguém que tem a fama de ser matador, e que joga palhetando olhando para o troféu em disputa.

É muito provável que a tensão invadirá o coração do botonista que se julga inferior e com menos gabarito para vencer um talentoso campeão. Em geral, é possível ver esportistas que entram para os duelos já derrotados. O medo pode ser um adversário bem pior do que o botonista que está do outro lado da mesa.

Já ouvi relatos de botonistas que chegaram ao cúmulo de enxergar os botões do adversário maiores, melhores, ou com a “nítida” impressão de se tratar de um material invencível. Nada disso! Isto tudo não passa de efeitos colaterais de gente insegura, e que em competições de níveis elevados, acabam se manifestando de tal forma que não permite que um botonista desempenhe bem o seu jogo.

O medo cega e faz com que um competidor se retraia, enterrando seu talento e gerando um outro sintoma: Acuamento.

Bem, não existe uma fábrica de campeões. Nunca vi uma academia especializada em formar vencedores, embora alguns insistam nisto. Creio que é possível sim, desenvolver talentos e aprimorar técnicas. E isto pode acontecer com qualquer um que realmente queira pagar os preços dos exaustivos treinamentos.

Conheci muitas pessoas durante minha vida. Estou o tempo todo tratando com pessoas e conhecendo seus corações. Percebo que existem pessoas que, por algum motivo, são mais determinadas que outras.

Em uma partida de futebol de mesa, valendo algum reconhecimento importante do meio, é possível perceber aqueles que são mais determinados e aqueles que jogam a toalha da desistência sem oferecer o mínimo de resistência.

É claro que os treinamentos fazem a diferença. Treinos e decisão de superação é dupla explosiva para o sucesso.

Estou convicto de que existem pessoas que tem algo mais dentro de si. Talvez, quem sabe, foi a criação dentro do lar que lhes proporcionou um espírito vencedor. Pais que foram modelos quanto a perseverança. As grandes lutas da vida podem ter contribuído em muito para que o gatilho da determinação fosse acionando dentro de uma determinada pessoa. Outras pessoas, no entanto, parecem mais frágeis e não tão determinadas. Desistem com facilidade e fogem aos confrontos que são inevitáveis, dentro e fora de jogo.

No futebol de mesa é possível lidar com essas fragilidades que são típicas do ser humano.

Penso que as escolhas e as decisões sempre são nossas. Por algum motivo recebemos em nosso ser a capacidade de decidirmos como queremos ser. Já o controle quanto ao que seremos pode não estar totalmente em nossas mãos.

Já vi gente “pequena” no futebol de mesa enfrentando de igual para igual gente mais capacitada. Como pode? Pode, porque esta pessoa “pequena” decidiu ser grande, e jogar como gente grande. Mas também já vi gente “grande” agir como gente absolutamente incapaz, neutra.

Quando entramos em campo com nossos botões pra lá de incrementados, decidamos ser competidores determinados. E se estiver levando de goleada, não desista! E sabe por quê? Bem, como já disse, existem muitos campeões que nunca foram reconhecidos. Campeões sem medalhas ou sem troféus. Isto não importa botonista! Só o fato de você enfrentar feras que você considera melhores do que você, e mesmo assim, lutar de igual pra igual, faz de você um grande campeão. Ser honesto, respeitoso para com o adversário e competir com garra, já mostram que você tem aquele algo mais dentro de você. Você verá que os seus oponentes terão que te respeitar por causa da sua determinação. O resultado de uma partida pode não passar de um simples detalhe, entende?

Quanto a medalha... bem... Penso que ela já está em seu coração. Por isso não a despreze. Mesmo que só você a veja.

Ricardo C. Meni
Jogador do Jabulani Futebol de Mesa na cidade de Jaboticabal – SP.
www.jabulanifuteboldemesa.com.br


Postagem de Enio Seibert