JOGO DE BOTÃO

JOGO DE BOTÃO
JOGO DE BOTÃO

sábado, 9 de novembro de 2013

SONHOS E IDEAIS DE BOTONISTAS

ENQUANTO MUITOS APENAS BRINCAVAM DE JOGAR FUTEBOL DE BOTÃO, ALGUNS BOTONISTAS TINHAM SONHOS IDEALISTAS.   SERIA POSSÍVEL COLOCAR ORGANIZAÇÃO NA  BRINCADEIRA DO JOGO DE BOTÃO  ?   GERALDO DÉCOURT NO RIO DE JANEIRO E LENINE MACEDO DE SOUZA EM PORTO ALEGRE SÃO EXEMPLOS PIONEIROS DESSAS INICIATIVAS.
SERIA POSSÍVEL UM CONJUNTO DE REGRAS PADRONIZADAS PARA A PRÁTICA DO JOGO  ?   LENINE MACEDO DE SOUZA, ADAUTO SAMBAQUY, OLDEMAR SEIXAS E ENIO SEIBERT, SEMPRE PENSARAM QUE SIM.
SERIA POSSÍVEL ELEVAR A PRÁTICA DO JOGO DE FUTEBOL DE BOTÃO  A  ESPORTE  ?   ADAUTO SAMBAQUY, GAUCHO DOMICILIADO EM SANTA CATARINA  E  ANTONIO MARIA DELATORRE, EM SÃO PAULO,  ACREDITARAM E FORAM EM FRENTE.
SERIA POSSÍVEL ORGANIZAR UM CALENDÁRIO  ANUAL  PERMANENTE PARA SE PRATICAR ESTE ESPORTE  ?   CLÁUDIO SCHEMES PAI  E  SÉRGIO OLIVEIRA, EM PORTO ALEGRE,  AJUDARAM A VIABILIZAR E COLOCAR  ESSA PRÁTICA EM FUNCIONAMENTO.
SERÁ QUE AINDA É POSSÍVEL REUNIR OS BOTONISTAS IDEALISTAS BEM INTENCIONADOS  E  DE  ESPÍRITO ABERTO PARA ESTUDAREM AS MELHORES OPÇÕES PARA  DEFINIÇÃO  DE UMA REGRA ÚNICA E PADRONIZADA PARA O JOGO-ESPORTE  FUTEBOL DE BOTÃO DE MESA, REGULAMENTO  PARA SER PRATICADO EM TODO MUNDO POR CRIANÇAS,  ADOLESCENTES E BOTONISTAS DE TODAS AS IDADES, COM REGRAS  UNIFICADAS  E EQUIPAMENTOS DE JOGO ACESSÍVEIS A TODOS NA INTERNET ?
OS BOTÕES ESTÃO NA MESA, COM A PALAVRA AS LIDERANÇAS DO BOTONISMO NA EUROPA:
HORWATH IMRE NA HUNGRIA, CARLOS GARCIA DALMAU EM BARCELONA,  CARLOS ESPADA EM VALÊNCIA,  RAMON GARRIGA FERRERONS  EM  CENTELLES  E TODOS OS DEMAIS LÍDERES REGIONAIS NA  ESPANHA E EUROPA.
AS LIDERANÇAS  BRASILEIRAS QUE PENSAM DA MESMA FORMA OU DE MANEIRA SIMILAR, TAMBÉM, ESTÃO TODAS CONVOCADAS  E CONVIDADAS PARA INICIARMOS AS CONVERSAÇÕES INTERNACIONAIS DE ALTO NÍVEL E BOA VONTADE  VISANDO O BEM COMUM DO NOSSO ESPORTE-HOBBY, A CONTINUIDADE DO JOGO DE FUTEBOL DE BOTÃO DE MESA  E A SUA PRESERVAÇÃO PARA A POSTERIDADE, SEGUINDO OS PASSOS DO NOSSO  MODELO INSPIRADOR  FUTEBOL DE CAMPO.
DEVE SER LEMBRADO  TAMBÉM QUE  SEMPRE SE TEVE CERTEZA DE QUE  A DIFERENÇA ENTRE AS PESSOAS É QUE  ALGUMAS SÓ SONHAM...  OUTRAS, CONSEGUEM TRANSFORMAR OS SONHOS EM REALIDADE !

TEXTO FINAL DE ENIO SEIBERT, BASEADO E INSPIRADO  EM CRÔNICA PUBLICADA POR RICARDO GOTHE NO BLOG/SITE WWW.GOTHEGOLPLUS3.BLOGSPOT.COM.BR 
POSTAGEM DE ENIO  SEIBERT - E-MAIL  enioseibert@hotmail.com   -PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - BRASIL.

domingo, 22 de setembro de 2013


HINO A UMA PAIXÃO
 

NOBRE E MUITO LOUCA
NOBRE E MUITO SADIA
A PAIXÃO DE JOGAR A BOLA
DE JOGAR O FUTEBOTÃO
NÃO IMPORTA A IDADE
NÃO IMPORTA O MATERIAL
NÃO IMPORTA A COR
TODO BOTÃO É BOTÃO
E TODO BOTÃO É POSSIBILIDADE DE RIR,
DE CHORAR, DE DIZER , DE GRITAR:
G O L
OU DE SUSSURAR,
G O L .
E CHORAR, E RIR
NOBRE E MUITO SADIA
NOBRE E MUITO LOUCA PAIXÃO
A DE FUTEBOL COM BOTÃO.
NASCEMOS  COM TIRADOR, FICHA OU PALHETA
ENTRE INDICADOR E POLEGAR
NASCEMOS COM ESSA MANEIRA SINGULAR
DE MIRAR O OLHAR ÀS JAQUETAS
VENDO NELAS, VENDO NELAS
MUNDOS QUE OUTROS NÃO VEEM NEM VERÃO
E É REALIDADE QUE POR MUITAS QUE SEJAM AS ESTRELAS
SEMPRE HAVERÁ DE EXISTIR ENTRE ELAS UM LUGAR
UM LUGAR PARA NOSSOS SONHOS
E ESSE LUGAR SERÁ PARA JOGAR
JOGAR E JOGAR O FUTEBOL COM BOTÃO.


TEXTO DE MARCELO SUÁREZ GARCIA, CRONISTA E POETA ESPANHOL  DE FÚTBOL CON BOTONES.
TRADUÇÃO DE ENIO SEIBERT     E-mail: enioseibert@hotmail.com
Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.
O melhor gol de todos os tempos no Futebol de mesa (pequeno distúrbio de força)

http://www.youtube.com/watch?v=U_m5PdDVzwM&feature=player_detailpage

Postado por Enio Seibert- enioseibert@hotmail.com

Futebol de botão tem mercado tão competitivo quanto o de jogadores profissionais

Não há janelas de transferência nem multas rescisórias, o que facilita a ação e o assédio dos cartolas aos principais craques das equipes. Reforço recém-adquirido não precisa esperar o nome aparecer em boletins informativos diários da Confederação Brasileira de Futebol para atuar. Além dos possíveis lucros com marketing, o valor de mercado também é baseado no desempenho de cada “atleta” em “campo”. Ou, melhor, o desempenho de cada botão na mesa.
Futebol de mesa, ou futebol de botão, é um jogo que simula partidas de futebol. Cada competidor controla 10 botões e um goleiro. Geralmente é realizado em mesas de madeira que representam campos de futebol. O objetivo, independentemente das regras combinadas previamente entre os jogadores, é marcar mais gols do que o adversário.
O passatempo já foi muito comum entre crianças. Mas essas crianças cresceram. Algumas delas continuam praticando e até investindo no jogo. A brincadeira que pretendia imitar os movimentos dos futebolistas também se assemelha muito com a prática de cartolas e empresários do verdadeiro mundo da bola.
Sr. Domênico vende botões por até R$ 50 no Bazar Mimo. Foto Gerson Raugust
Sr. Domênico vende botões por até R$ 50 no Bazar Mimo.
No Bazar Mimo, loja especializada em futebol de mesa situada no centro de Porto Alegre, é possível adquirir um time completo a partir de R$ 20. Mas o custo de um único botão pode chegar aos R$ 50. O dono do local, Domênico Bernardino Romano, 64 anos, mais conhecido como “Seu Mimo”, afirma que o principal fator para tal discrepância de preços está no material da peça. De acordo com Mimo, o botão de acrílico é mais comum e, portanto, mais barato. Os mais caros são os de galalite, um tipo de material nobre importado da Europa.
Além da matéria prima, outros fatores influenciam nos valores dos botões. Há botões industrializados e artesanais. O botonista que optar pelo trabalho manual tem a oportunidade de personalizar seu time, tanto no que se refere ao visual das peças quanto às características de jogabilidade – quantidade de camadas, diâmetro, caimento das bordas.
— Na minha loja os preços são tabelados, mas a pessoa pode encomendar botões diferentes se quiser. Pode escolher outras cores, pode colocar o emblema dentro do botão, pode definir quais as medidas da peça. Vai do gosto do freguês, mas também vai encarecendo — explica o comerciante.

O mercado dos botões

Muitas são as competições ao longo do ano. Os torneios costumam se basear nas tabelas e nos times participantes de eventos reais do futebol profissional nacional e internacional. A Libertadores da América, por exemplo, segue sendo disputada semana a semana nas mesas do Bazar Mimo. São competições como essas que costumam aquecer o mercado dos botões.
Botonistas levam seus times para os confrontos em estojos de madeira personalizados. Dentro deles, repartimentos revestidos de veludo transformam o transporte confortável para os protagonistas dos embates. Esses estojos foram convenientemente apelidados de ônibus.
Como são permitidas substituições, um grupo qualificado é essencial, afinal nunca se sabe quando o reserva, aquele que entra no finalzinho do jogo, poderá se mostrar predestinado a mudar o resultado da partida.
O metalúrgico Alexandre Seixas dos Santos, 28 anos, está prestes a estrear no Campeonato Brasileiro da família dele. O futebol de mesa costuma reunir tios, irmãos e primos em volta da mesa nos finais de semana.
Santos está reforçando o grupo, mas não costuma investir muito nos seus times. Sua equipe principal, o Milan, vale cerca de R$ 450. Mas ele se orgulha de possuir um artilheiro altamente valorizado no mercado familiar. O botão foi comprado de um tio por R$ 60. Hoje, depois das boas atuações nas últimas temporadas, o passe do centroavante de acrílico valorizou muito. A última oferta ao goleador girava em torno de 15 botões mais certa quantia em dinheiro, mas foi recusada.
— Não vendo, esse aí eu não vendo — garante o botonista.
Os irmãos Leandro Majewski, 34 anos e Bruno Ribeiro, 26, jogam futebol de mesa desde criança, mas começaram a levar o hobby a sério mais recentemente. Seus times de acrílico foram adquiridos por um preço considerado baixo no mercado, entre R$ 10 e R$ 20. Aos poucos, os botões se valorizaram e hoje uma só peça chega a valer R$ 40.
— Quando um botão se destaca em algum campeonato, ele fica mais caro. Mas nem precisa ser uma competição mais séria. Às vezes numa “Copa Lasanha” ou “Taça Churrasco”, ou até mesmo em amistosos, tu já consegue valorizar teu time — conta Majewski.

Supervalorização das estrelas

O nome dele é Ricardo, mas prefere ser chamado de Chico. Aos 30 anos, e jogando desde 1996, disse já ter investido mais no jogo tempos atrás. Atualmente, seu grupo principal, com botões de galalite, não é considerado dos mais caros. “Hoje meu time não vale muito, acredito que não passa de R$ 2 mil”, diz.
Chico conhece muita gente que investe forte nesta brincadeira. Já viu quem desembolsasse mais de mil reais por um único botão. A beleza e a raridade das peças contribuem para a valorização no mercado tanto quanto os resultados obtidos em campo. Mas há outro fator que influencia muito para a realização de boas transações: o marketing.
— Uma estratégia dos caras para fazer o botão pegar preço é botar nome nele. Depois é só colocar para jogar e tentar chamar a atenção. Tem botoneiro que passa o jogo inteiro gritando o nome do botão, assim fica mais fácil de vender por um bom preço. – explica Chico.
Embora haja certa mística em torno de botões diferenciados, é consenso entre a maioria dos competidores que o que realmente faz diferença é a habilidade do botonista, a única peça realmente ativa nas equipes.

Algodão é matador

Certa feita, em uma das muitas tardes que passou ao pé de mesas de botão, Chico presenciou uma cena engraçada. Dois botonistas disputavam uma partida. Volta e meia, entre um pedido de “a gol” e outro, um deles gritava: “Algodão!”.
Algodão era o atacante goleador do time. Suas proezas seguiam sendo divulgadas em alto e bom som. “Algodão! Gol do Algodão!”
Embora fortemente exaltadas, todos pareciam alheios às façanhas de Algodão. Todos, menos um garoto que acompanhava o jogo de perto.
Dali a pouco, outro gol e mais um grito: “Al-go-dão!”, com forte ênfase no “ão”.
— Ei, este dái não é o Algodão. — disse o garoto, que apontava o indicador em direção ao verdadeiro Algodão, que sequer participara da jogada.
Vendo sua estratégia de marketing ameaçada, o competidor olhou feio para o menino e, resmungando em tom de desaprovação, ordenou: “Fica quieto, guri! Fica quieto!”
Texto: Diogo Puhl (7° semestre)
Fotos: Gerson Raugust (7° semestre)

Fonte: http://www.eusoufamecos.net/editorialj/futebol-de-botao-tem-mercado-tao-competitivo-quanto-o-de-jogadores-profissionais/

Postado por Enio Seibert- enioseibert@hotmail.com
DEVERES DE UM BOTONISTA‏
 
 
Chama-se " Botonista " todo praticante do Futebol de Mesa.
Para participação em jogos/campeonatos oficiais das federações, o botonista  só terá condições de jogo se filiado e com a anuidade e registros administrativos devidamente em ordem.
Apresentar-se trajado com decência, com as mãos e braços limpos, e em jogos oficiais, portando a camisa do Clube que defende e ao qual está filiado.
Manter-se e apresentar-se nos locais de jogos com toda ética e educação que a classe requer, evitando discussões, comentários sobre Clubes e outros botonistas.
Acatar sem nenhuma reclamação ou  gesto as determinações do árbitro do jogo em que participar.  Tratando-se de  erro de direito do árbitro, polidamente o botonista poderá pedir e relatar ao  árbitro a situação.
Em nenhuma hipótese ou circunstância qualquer botonista poderá manter discussão acirrada com outro botonista ou outra pessoa no local dos jogos.
É considerada falta gravíssima qualquer  botonista se envolver em briga com outro botonista no local dos jogos:  entende-se por local dos jogos não só  o recinto onde os mesmos são realizados, como também todas as demais dependências do Clube e imediações.
Também é falta grave o botonista se envolver em briga com outro, com outros ou mesmo com estranhos, vestindo a camisa do Clube que defende ou a da própria Federação de Futebol de Mesa.
É dever de todo botonista atuar na prática com ética, elegância e honestidade, evitando irritar o adversário com gestos, palavras, cera caracterizada ou disfarçada, ou artimanhas próprias  dos maus esportistas.
É terminantemente proibido a qualquer botonista fazer comemorações exteriorizadas com palavras ou gestos antiesportivos de seus gols ou de suas  boas jogadas, bem como dos erros de  seus adversários.

TRANSCRIÇÃO  DA REVISTA FUTEBOL DE BOTÃO No. 4 - SEÇÃO " PAPINHO " - EDITORA MARCO AURÉLIO, DE SÃO PAULO-SP.
POSTAGEM DE ENIO SEIBERT - enioseibert@hotmail.com - PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - BRASIL.
AS LESÕES, ESSE DESENLACE FATAL‏


É pouco frequente que um botão futebolista se lesione.  Em contrapartida, quando chegam a lesionar-se, os danos que sofrem os botões futebolistas são quase sempre irreversíveis.

Vemos os super craques de futebol humano, como se recuperam das fraturas e lesões mais graves, rapidamente, acelerando inclusive os prazos de restabelecimento graças a revolucionários tratamentos de medicina esportiva, assim como também ao próprio empenho que de sua parte colocam - inexplicavelmente, em minha opinião,  visto que podem passar estes períodos de recuperação  em praias paradisíacas, cercados de gente bonita, recifes de coral e coqueiros -, em regressar o quanto antes às mais prestigiadas competições.

Um botão fraturado, pelo contrário, por bom jogador que tenha sido outrora, por vontade e esforço que ponha em recuperar-se, e por colossal que seja a colagem  que empregue-se em repara-lo, jamais, depois de haver sofrido uma lesão grave, voltará a ser o mesmo.

A catástrofe da quebra de um craque botão principalmente, se ocorrer um rompimento  em dois pedaços, pressupõe,- poderia dizer-se assim, em conclusão de crua realidade-, o ponto final, o desenlace fatal de sua arte nos estádios de futebol de botão de mesa.

Texto do colunista espanhol Marcelo Suárez Garcia, cronista do blog Futbol com botones y rebote a banda.
Tradução autorizada de Enio Seibert - enioseibert@hotmail.com
 

domingo, 8 de setembro de 2013

RELATO DE UN BOTONERO
 
Anoche me estaba acordando de cuando tenía unos 13 años y jugábamos al campeonato de botones, deporte por antonomasia y origen de los más grandes desafíos que ha dado el ser humano.
Mi amigo Santi nos enseñó a jugar a los botones. Se jugaba en un campo de subbuteo clavado en una madera. El recinto ideal era una azotea o un patio, marco incomparable. Un botón de camisa servía como balón, mientras que los jugadores eran botones mucho más grandes, de estos de abrigos antiguos de señora, que se podían comprar en lugares tan sórdidos como quincallas de la calle feria o en el mercadillo del Alameda. Las porterías estaban formadas por tres cintas de cassette, que marcaban perfectamente tanto altura como profundidad. El portero era un bote pequeño de mayonesa o mermelada.
Las partidas duraban dos tiempos de cinco minutos. Cada jugador, por turnos, tenía derecho a dar un toque (excepto en el saque inicial, que podías dar dos) y desplazar a su jugador, golpeando o no la pelota. Muchas veces los jugadores usaban sus turnos sólo para colocar o para obstaculizar al otro. Si tocabas a otro jugador se señalaba falta, y sólo se permitía un jugador rival como barrera. Si un jugador accidentalmente se montaba sobre la pelota se señalaba “mano”. Un árbitro vigilaba todo esto, así como decidía si la falta era meritoria de expulsión o de tarjeta amarilla. Cada vez que considerabas que tenías buena posición de tiro tenías que pedir puerta en voz alta. En ese momento el rival colocaba a su portero, y hasta que no da su beneplácito el atacante no puede tirar. Una última regla: cuando el tiempo se acababa el árbitro anunciaba que esa era la última jugada. Desde ese momento, si la pelota se iba fuera, había gol o una falta, es decir, si se paraba el juego, el partido terminaba. Si la pelota estaba en juego se seguía jugando. Como guinda, para evitar “faltas a posta” en esa última jugada, el receptor de la falta tenía derecho a tirar una última vez a puerta en ese libre directo.
Santi nos hablaba de jugadores veteranos, de más de cincuenta años, maestros en lo suyo, que le habían enseñado todo lo que sabe. El era el heredero. Jugábamos siempre pequeños torneos, triangulares o de cuatro, muchas veces simplemente él y yo. El siempre ganaba, era el más grande.
Un día de junio jugamos el torneo más grande jamás jugado, ocho personas, en la azotea de casa de Fernando. Había atmósfera de día festivo, comimos filetes con huevos fritos y patatas fritas y después de comer nos enfrentamos al supe torneo. Los jugadores eran los siguientes:
EL CAMPEON: “Seven“, el equipo de Santi. Había ganado el 95% por ciento de cualquier torneo que hubiésemos jugado. Era nuestro Induráin, el enemigo a batir, el ganador sobre el papel.
EL ASPIRANTE: “Oroco“, el equipo de Antonio “Toro”, un jugador agresivo y potente, el único capaz de ganar en torneo oficial al todopoderoso “Seven
LOS GUERRILLEROS:
- “Orión“. Era mi equipo, capaz de lo mejor y de lo peor, con jugadores imprevisibles como Salinas, un pequeño botón negro que hacía goles extrañísimos por su manera rara e indefendible de golpear la pelota… pero también hacía mano con demasiada frecuencia. Peleón pero también proclive a deprimirse si recibía un gol demasiado pronto.
- “Tabo FC“, el equipo de José Blas. Marrullero, chabacano, era como tener al Atlético de Madrid entrenado a la vez por Mourinho y Bilardo. Capaz de sacar petróleo de cualquier situación de Caos. Sus duelos con el “Orión” se saldaban siempre con varios expulsados y algunos días de no hablarme con él.
- “Villa FC“, el equipo de Salva, enamorado del juego creativo y preciosista, cambiaba un gol por cualquier jugada bonita. Eso, muchas veces, fue su ruina.
- “Angelote“, el equipo de Costilla, un jugador de la nueva hornada todavía en proceso de crecimiento pero que había demostrado ya maneras.
LOS NOVATOS:
- “Chiquetito“, el equipo de nuestro anfitrión, Fernando, era la primera vez que jugaba pero ya venía curtido de sus partidas de Subbuteo clásico. Imprevisible.
- “Salesianos FC“, el equipo de Luis, hermano pequeño de Fernando… que fue obligado por su madre a dejarle jugar. La perita en dulce.
Durante la fase de clasificación se crearon dos grupos, se clasificaban los dos primeros que jugaban las semifinales. En el grupo A el “Seven“, como era esperable, arrasó en sus tres partidos, incluido un 6-0 a “Angelote“. La sorpresa la dio “Chiquetito“, que en su debut logró colarse en el segundo puesto en semifinales, desbancando a un clásico como “Villa FC“, que dejó una imagen gris y un juego sin ideas.
En el otro grupo, que parecía más igualado, las cosas se clarificaron muy pronto, ya que “Oroco” y “Orión” jugaron entre ellos el tercer partido habiendo ganado los dos anteriores y, por lo tanto, clasificados ambos. Al final “Oroco” venció ese partido y quedó primero de grupo. “Salesianos“, como era de esperar, recibió tres goleadas y el partido que se presumía más “caliente”, el clásico “Orión - Tabo FC” fue un duelo de caballeros que se decantó muy pronto por el primero.
Las semifinales auguraban una final clásica y repetida, Oroco-Seven, pero la historia esta vez dio un giro inesperado. “Orión” ganó por segunda vez en un torneo a “Seven” por un contundente 3-0. El propio Santi reconoció cortésmente la derrota y dijo que era posiblemente el peor partido que había jugado jamás en un torneo. Pero el campanazo gordo lo dio el debutante “Chiquetito” al ganar por 1-0, gol de penalti, al otro grande, “Oroco“. La final del torneo más grande jamás jugado se la disputarían dos invitados con los que no se contaba: Chiquetito vs. Orión.
La final fue un gran acontecimiento. Santi incluso colocó una cámara de vídeo en un trípode para guardar el partido para la posteridad. Arbitraba Villa y los contendientes, amigos fuera del campo, se lanzaron a vivir los 10 minutos más importantes de su carrera deportiva. Todos los demás participantes fueron el público más numeroso jamás visto en una partida de Botones.
El partido fue tenso y sin demasiada calidad. Las defensas estuvieron seguras y las delanteras no encontraban hueco por donde hacer daño al rival. Después de diez minutos de duro combate cuerpo a cuerpo, Villa anunció “última jugada”. Fernando miró el campo. La pelota apenas atravesaba la divisoria y se encontraba en el campo del “Orión“. Un jugador suyo tenía un cierto ángulo para poder intentar un tiro difícil y lejano. Se colocó a ras de suelo para ver la perspectiva y preparó los dedos. Después de un par de minutos de tensión Fernando alzó la vista y dijo a Fanshawe: ¿ya? Fanshawe no había movido ni un milímetro a su portero, y quedaba un espacio grande en la portería. Sin mostrar ni la más mínima preocupación miró fijamente a su rival y le espetó: “tu verás”. Fernando se volvió a inclinar, curvó sus dedos y disparó. Fue un tiro preciso, con un ligero efecto de derecha a izquierda, potente, raso. Perfecto. La pelota entró por el palo derecho de la portería del “Orión“. En el último suspiro el debutante había marcado el gol de la victoria. Hubo gritos, algarabía, abrazos. Pero entonces una voz heló a todos.
“No ha pedido ‘puerta’” dijo pausadamente Fanshawe.
Las reglas eran claras. Si el jugador que tira no pide “puerta” en voz alta el tiro es inválido, ya que el portero rival debe dar su consentimiento, decir que está listo. Todos, Fernando incluido, caen en la cuenta de que Fanshawe no dijo nunca que estuviera listo. De hecho ni siquiera había movido a su portero. Se limitó a decir desafiante: “tu verás”. Fernando se quedó bloqueado, con la boca abierta, y musitó: “¡Sí que la he pedido!”. Pero su timbre de voz, el temblor que se sentía en sus palabras, hacían comprender que no estaba seguro. Tal vez había creído decirlo pero sólo lo había pensado. Tal vez… todos miraron a Salvador Villa, el árbitro, que no sabía qué hacer. Finalmente dijo en voz muy baja: “yo no lo he oído”.
Entonces fue cuando Santi, el gran campeón, el fundador de ese juego, el líder, cogió la cámara de vídeo y sentenció: “la verdad de todo está grabada aquí dentro”.
Fuimos como psicópatas a colocar la cinta en el vídeo de Fernando. Ambos temblábamos de la emoción, la tensión se cortaba con un cuchillo. Santi pasó el vídeo a velocidad rápida hasta que se llegó al momento crucial. Pulsó el Play. Se escuchó a Villa anunciar la última jugada. El público gritaba, animaba, comentaba, había un estruendo enorme. Entonces Fernando se arrodilló. Se colocó a pies de tierra y escudriñó la portería rival.
“Puerta”, se le escuchó decir nítidamente".
Anonimo.
 
O ROUBO DO COLADINHO

Essa história aconteceu há mais de sessenta anos. Naquela época, jogava muito na casa do Enio Chaulet, o qual tinha diversos times de botões puxadores. Entre eles havia um, quebrado pela metade e que fora magistralmente colado. O Enio era perfeccionista e seus botões eram imaculados, cuidadosamente polidos e o Coladinho estava ficando um pouco de lado. Certo dia, perguntei se ele venderia o botão. Relutou em desfazer-se do mesmo, até que estabeleceu um preço pelo mesmo.
Coladinho - o botão goleador
Ao saber o valor da transação, solicitei-lhe que o guardasse, pois eu o compraria. Para isso necessitaria juntar as minhas parcas reservas financeiras e me privar de matinês, lanches, doces e picolés. Estava com 14/15 anos na época. Fui guardando as minhas economias e, por fim, ataquei o cofre de moedas de minha mãe. Habilmente, colocava uma faca na abertura que permitia a colocação das moedas, fazendo com que algumas delas deslizassem para o meu bolso. Finalmente, o montante da maior transação botonística daquela época estava em meu poder.
No sábado, dia que nos reuníamos para jogar, desloquei-me até à casa do Enio. A primeira coisa foi negociar o Coladinho. Com ele no meu time, senti-me como presidente do Real Madrid ou do Barcelona. Um craque de alto valor que se reunia aos outros botões que faziam parte de meu plantel. Naquele sábado estavam lá, além de nós dois, o Dario Panarotto e um rapaz que era conhecido pela alcunha de Português. Jogamos um torneio rápido e o Coladinho começou a fazer suas vítimas, pois não errava um chute em direção ao gol. No final, o tal de Português fez um convite para participarmos de um torneio que seria realizado em sua casa no domingo pela manhã. O Enio, que era filho único teria de acompanhar a mãe assistindo à missa, e o Dario teria de compensar o sábado, trabalhando no bar de seu pai no domingo. O bar ficava na esquina da Igreja, defronte à Loja Magnabosco. Restou somente o feliz proprietário do Coladinho. Aceitei o convite, afinal estava a fim de mostrar a minha nova contratação a todos os botonistas caxienses, e a oportunidade se apresentava, embora eu nunca houvesse jogado naquela casa. O Português me informou que a mesma ficava ao lado do campo do Juventude, solicitando que aparecesse cedo, pois estariam por lá mais cinco botonistas.
No domingo pela manhã, com a minha caixinha debaixo do braço, desci a Rua Alfredo Chaves em direção ao campo do Juventude. Ao chegar ao local, já se encontravam cinco rapazes que eu não conhecia pessoalmente. Mas, quem gosta de jogar botão não escolhe adversário. Fui enfrentando um a um e vencendo, fazendo com que a fama do Coladinho aumentasse a cada novo gol conquistado. Fiz a partida final e venci. Foi então que o pessoal veio me cumprimentar, rodeando-me e dizendo que eu deveria ir jogar sempre com eles, enfim me bajulando, deixando-me no meio da roda. Eu me senti um ás, um vencedor, apesar de que não havia troféu algum em jogo. Após essa encenação, fui recolher meu time e... quase todos os botões ainda estavam em cima da mesa. Olhei incrédulo, procurando pelo mais importante e ele não estava lá. Faltava o Coladinho. Pedi que me devolvessem o botão que estava faltando. Todos fizeram cara de surpresos, afirmando que ninguém o havia pegado. Reclamei, insisti e perdi a paciência, chamando-os de bando de ladrões, salafrários, dissimulados, desonestos. Até a mãe deles apareceu na sala para saber o que estava havendo; ao saber do furto, simplesmente defendeu seus filhos e amigos, dizendo que ninguém dali pegaria um botão. Mas, não era um botão, era o botão, era o Coladinho, pelo qual eu fizera tanto sacrifício para ter em meu plantel. Não aguentei mais e chorei. Juntei os restantes, colocando-os na caixa e saí porta afora, soluçando, subindo a Alfredo Chaves, até chegar a casa, desolado. Havia feito uma compra almejada, e o botão apenas dormira em minha caixa uma noite. Fui roubado vergonhosamente. Nunca mais soube do Coladinho e também nunca mais falei com aqueles gatunos. Perdi um botão que me dera em poucos jogos imensas alegrias, mas me livrei de tornar-me amigo de pessoas desonestas.
Foi a minha primeira decepção no futebol de mesa. Muitas outras viriam a acontecer, mas a primeira a gente nunca esquece. Ao longo de minha vida de botonista tive decepções com pessoas que considerava amigas e que traíram a minha confiança. Fui enganado por pedidos dramatizados de botonista, dizendo que necessitaria de um empréstimo para cobrir um cheque para poder internar sua mãe em um hospital, com promessa de pagamento para dali a dias. Perdi dinheiro e o falso amigo. Graças a Deus eu nunca fui escravo do dinheiro e o uso para o seu fim com honestidade. Nunca deixei de cumprir minhas obrigações e acredito que continuarei assim até o fim dos meus dias. Com isso mantenho a minha consciência tranquila e fico sempre em paz na hora de dormir. Talvez, por essa razão eu sofra quando acontecem coisas assim, pois sempre procurei ajudar aqueles que considero meus amigos e nunca esperei retorno algum. Mas, pelo gigantismo que o futebol de mesa atingiu, não podemos estar imunes de sofrer decepções como às que sofri. Sempre procuro seguir à máxima que aquilo que fazemos aqui na Terra, pagaremos aqui mesmo. Por isso, ainda espero um dia encontrar o Coladinho e render-lhe homenagem, colocando-o em minha prateleira com um cartão de agradecimento pelos gols nos dois dias em que esteve em minhas mãos.
 
 
Postado por Enio Seibert- enioseibert@hotmail.com

domingo, 21 de abril de 2013

O ESPETACULAR FUTEBOL DE MESA
....01/02/2011

Praticar algum tipo de esporte é fundamental para a saúde do corpo humano e da mente.
Ignorar essa tônica da vida é diminuir o tempo da própria existência.
A ciência tratou de atestar que o corpo humano é composto por 70% de água.
E o que acontece com a água parada? Ela simplesmente se estraga.
Qualquer um que praticar algum tipo de esporte receberá como retorno, saúde física, mental,
 e também a emocional.
O antigo futebol de botão como era chamado, agora classificado como futebol de mesa,
 e que se tornou esporte reconhecido pelo antigo CND em 1988 (Conselho Nacional de Desporto),
 não é diferente quanto aos benefícios para a saúde como esporte. Portanto, quem pratica futebol
 de mesa é um legítimo atleta, e atleta precisa de muito preparo se quiser ser um grande campeão.
Talvez antes de vencer alguns adversários de goleada na regra que você mais se adapta, seja
necessário primeiro, vencer a si mesmo em alguns aspectos. Vencer os próprios medos,
por exemplo, já que o futebol de mesa, apesar das equipes e dos clubes, na hora do jogo é atleta
contra atleta. Ali, envolta do “gramado” rígido pontilhado por botões multicoloridos, as habilidades
 se enfrentam, e as capacidades pessoais são testadas ao máximo.
No futebol de mesa o cérebro é constantemente acionado na elaboração de jogadas e nas projeções
 dos contra-ataques. Um pequeno descuido, e o adversário poderá chegar na cara do gol e balançar
as redes. Além disso, o tempo precisa estar sendo monitorado com a própria mente durante
 uma partida, já que em competições oficiais os atletas são privados de acompanhar o tempo
 das partidas através dos cronômetros.
Bem, se por um lado o cérebro é exercitado e bastante exigido, por outro lado o futebol de mesa
 proporciona uma higiene mental que lhe é peculiar, já que durante uma partida oficial, ou,
por pura diversão, não é possível pensar em outra coisa.
Eu diria que pescar é muito bom, mas jogar futebol de mesa é simplesmente delicioso, e não
 tem o inconveniente dos pernilongos e nem das mãos cheirando a peixe. Mas fique tranqüilo,
pois também gosto de pescar de vez em quando.
Um bom chute a gol não pode ser concluído com êxito sem as seguintes exigências: capricho,
 atenção, concentração, visão, e claro, um espírito vitorioso que é indispensável para qualquer
 atleta. Acreditar sempre que a cada chute a gol a bola repousará suavemente dentro do gol,
levando o praticante a uma explosão de satisfação. Alias quanto custaria esta sensação?
Durante uma partida de futebol de mesa quem joga sabe: é preciso ter equilíbrio nas emoções.
Elas serão confrontadas em várias oportunidades durante um campeonato ou mesmo durante
uma simples partida. Mesmo porque, ninguém fica satisfeito com as derrotas, apesar de
aprendermos com elas.
Esse equilíbrio se aplica em pelo menos dois momentos: 1 – Quando se está ganhando uma
 partida com boa margem de vantagem e tiver que continuar concentrado sem menosprezar
o adversário. 2 – Quando se está perdendo a partida, o tempo correndo, sendo necessário
arrancar lá do fundo da alma, a dose certa de determinação para buscar o empate, e quem
 sabe, virar o placar no último lance.
Faz parte do nosso esporte perder de goleada, às vezes. Mas quantos estão preparados para isto?
A tendência é desanimar e perder o interesse pela partida. No entanto, atletas honrados e que
realmente jogam com paixão nunca desistem. E se este princípio pode ser aplicado ao futebol
de mesa, por que não ser assim também no dia a dia da vida de cada botonista?
           Para nós botonistas, existem pelo menos dois tipos de adversários que precisam ser vencidos.
            Um deles estará sempre sobre as mesas das competições do outro lado do campo.
E a vitória terá um sabor todo especial, quando ela for construída com lances de pura
genialidade. E outros adversários não menos importantes, que estão lá fora na selva
da vida, tentando desestabilizar-nos como pessoas, e procurando ferir aqueles a
quem mais amamos. Refiro-me aos infortúnios da vida. Ali também precisamos ser
 campeões dando o nosso melhor. Quando as coisas apertarem, será preciso ter a garra
de um botonista campeão para virar o jogo da vida.
Outro benefício importante do futebol de mesa para a saúde está na quantidade de
  voltas que um atleta (técnico) dá entorno da mesa durante uma partida. Alguém aí
já contabilizou quantos passos são dados durante um jogo? Mas não é somente isto!
Um técnico precisa se abaixar várias vezes para pegar a bolinha durante uma partida,
e também durante os treinos. Isto sem contar as inúmeras jogadas cujo atleta precisa
se esticar todo sobre o tablado verde para concluir uma jogada difícil.
São muitos os abdominais discretos que um botonista é forçado a fazer durante
 o jogo. Dezenas de alongamentos sem perceber. São os contorcionistas do futebol
de mesa sendo exigidos ao máximo e contribuindo para o espetáculo ser ainda melhor.
O futebol de mesa além de delicioso como disse, quando praticado com alegria promove
 a amizade; o companheirismo; o espírito de equipe; e a honra de poder representar
 um clube. Neste quesito agrega-se ainda, o apoio que cada atleta deve dar para seus
companheiros de escuderia.
Limpar bem os botões e lustrá-los nos lembra da limpeza e lisura que precisamos
 ter quanto ao caráter. Que os nossos botões estejam tão limpos quanto nosso
comportamento, dentro e fora de jogo.
Pratique futebol de mesa. Quer seja como atleta profissional ou simplesmente
para se divertir, será sempre muito gratificante.
Para finalizar essa matéria, quero lembrar-lhes que aqueles que amam jogar futebol
 de mesa, estão mantendo viva, quem sabe, aquela que foi a melhor de todas as fases da vida.
Até a próxima e façam bons jogos.
Ricardo C. Meni
 
 
Postagem de Enio Seibert- enioseibert@hotmail.com



O GOL INCRÍVEL FEITO PELO CALEGARI

Essa é mais uma das histórias acontecidas em um campeonato realizado na AABB, em Caxias do Sul. Em 21 de agosto de 1968, durante a realização de uma rodada pelo campeonato interno da AABB, o Calegari deveria jogar contra o Sylvio Puccinelli e com o Rubens Constantino Schumacher.
Jogo contra o Calegari era sempre encardido, pois o nosso colega era simplesmente inimaginável. Fazia coisas que ninguém conseguia realizar, mesmo se tentasse várias vezes. Conseguia errar a bolinha a poucos centímetros do botão, como também conseguia realizar um chute com um zagueiro atravessando o campo e marcar um golaço.
Mas, esse gol não foi de zagueiro.
Calegari, o grande gremista de sempre.

O Calegari estava levando um sufoco de seu adversário e o jogo estava empatado. A iminência de perder a partida se acentuava a cada nova jogada. Foi então que aconteceu a célebre jogada“inesquecível”. A bolinha para em cima da linha de fundo de campo. Paradinha, sem chance de construir uma jogada, pois o seu botão mais próximo estava na linha lateral do campo, a uns quinze centímetros da linha de fundo. Botonista algum pensaria em chutar ao gol uma bola daquelas. Em seu pensamento, Calegari deve ter arquitetado o seguinte: Peço ao gol e chuto para fora. Com isso recoloco a minha defesa que estava desarrumada... É o que vou fazer!
Dito e feito: Comandou com autoridade: - Prepare que eu vou chutar ao gol!
Seu adversário veio para a direção do botão que seria o chutador, olhou para o gol e colocou o goleiro em paralelo à linha de gol. Assim, se por ventura a bolinha fosse até a área pequena, não se chocaria com o goleiro e daria chance de um lateral.
Avisou que estava pronto. Os demais que estavam assistindo à partida ficaram postados, admirando a proeza imaginada pelo Calegari. Todo mundo em silêncio.
Calegari coloca a palheta em cima do botão, com o detalhe que ele jogava com uma mão somente. Olha para a bolinha, fecha um olho e pressiona com força, soltando o botão feito um bólido em direção ao disquinho imóvel na linha de fundo.
Foi então que aconteceu o inacreditável.
O botão número 7 (Tarcisio) trisca o disquinho (bolinha) de uma forma impressionante. O disquinho levanta e realiza uma trajetória encurvada, rolando em direção ao gol. Mas tudo isso de uma forma quase quadro a quadro, vagarosamente. A bolinha levanta e parte em direção à área grande adversária, entra na metade da área pequena, passa ao lado do goleiro e cai mansamente logo após a linha de gol. Ninguém queria acreditar no que estava vendo. Calegari havia conseguido marcar um gol impossível num jogo em que seu adversário se portava melhor. Foi uma festa, pois o Caligula, como era carinhosamente apelidado pelo Vicente Sacco Netto, foi pequeno para os abraços e comemorações. Não é necessário dizer que o jogo terminou 1 x 0 para o nosso herói.
Depois do jogo ele ficou tentando por mais de duas horas repetir o feito, mas nem de longe chegou perto do magistral chute. São coisas que só acontecem no futebol de mesa e para o Sérgio Calegari.
Tentei desenhar a jogada e espero que possam, através do esboço, sentir a grande dificuldade que esse gol atingiu. Em todo o meu tempo de futebol de mesa não consegui ver outra proeza semelhante a essa. Bons tempos.
 
Postagem de Enio Seibert- enioseibert@hotmail.com

Futebol de botão tenta sobreviver à "era do videogame" e teme ficar sem nova geração

Bruno Freitas
Em São Paulo


Existe um grupo de fãs de futebol que gerem sua própria entidade, confeccionam tabelas de campeonato como bem entendem e viabilizam contratações de jogadores impensáveis no mundo real. Composto de bolinhas de feltro, jogadores em fórmula de círculo e goleiros retangulares, o jogo de botão que abrigou sonhos malucos de tantos meninos nos estrelões da vida agora luta para sobreviver na desleal batalha contra o detalhista universo dos videogames, na esperança que uma nova geração de adeptos não deixe o esporte acabar.

Popular brincadeira de garotos brasileiros até a explosão dos jogos eletrônicos, o futebol de botão hoje sobrevive através da paixão de adeptos saudosistas, boa parte deles ligada a clubes grandes. Em geral, trata-se de uma turma acima da casa dos trinta (ou quarenta), que luta para transmitir o vício das palhetas para seus filhos, geralmente já seduzidos pela quase perfeição das partidas de videogame, que têm nos ídolos dos campos poderosos divulgadores espontâneos.

"A garotada realmente não está interessada. É uma ameaça ao esporte. Em dez ou 15 anos não sei se o futebol de mesa ainda vai existir", diz Daniel Stankevicius, jogador da equipe de futebol de mesa do Corinthians (ou "botonista", como são conhecidos os atletas da modalidade). A reportagem do UOL Esporte visita uma noite de treinamento da equipe corintiana no Parque São Jorge, em uma sala especialmente adaptada para a prática, com piso emborrachado para eventuais quedas de peças e climatização através de ar condicionado. Um dos atletas no local é Nilton Lombardi, que prepara uma de suas equipes com um produto lustra móveis, com a finalidade de fazer seus jogadores deslizarem adequadamente. O integrante da categoria máster (acima de 42 anos) conta que conseguiu a façanha de fazer o filho Yuan se interessar pela modalidade.
Estamos numa onda de volta de algumas coisas do passado, como o vinil, aquelas geladeiras mais antigas. Quem sabe não aconteça o mesmo com o futebol de mesa
Tadeu Sanchis, jogador do Corinthians, quinto lugar no 1º Mundial da modalidade, disputado na Hungria
"Ele tem 16 anos, é o quarto do ranking paulista sub-20. Eu sou o 24º da minha categoria. Antes eu deixava ele ganhar às vezes, mas hoje já sou 'pato' dele", celebra Nilton, com orgulho do feito de recrutar um jovem para a missão de levar adiante o futebol de mesa.
Renan Roberto é outro integrante da equipe do Corinthians, praticante que tem como hobby decorar seus próprios times. Em um deles, no azul claro do Manchester City, colocou o rosto de seu filho de oito anos em um dos jogadores. Mesmo assim, afirma reconhecer que dificilmente o garoto deixará o videogame em segundo plano para abraçar o esporte da bola de feltro.
À frente da Federação Paulista de futebol de mesa, Jorge Farah é um dos grandes entusiastas nacionais do esporte. Ele dirige a entidade com cerca de 2,3 mil filiados (mas apenas uns 350 ativos) e mantém um blog onde apresenta sua coleção de raridades de times antigos. No debate sobre a sobrevivência do botão como modalidade e brincadeira lúdica, o dirigente de 53 anos diz que é um erro encarar o videogame como um inimigo.
"Há um equivoco que se cometeu anos atrás por quem joga o futebol de mesa. O videogame não é nosso concorrente. O jogo eletrônico e o botão são coisas muito distintas", afirma o dirigente, que ressalta a vantagem de sua modalidade como ferramenta de fantasia.

O CULTO AO MODELO "BRIANEZI"

Conhecido modelo de quem jogava futebol de mesa nos anos 70 e 80, o 'Brianezi' é cultuado até hoje por fãs da modalidade. A loja da família que batizou seus botões com o sobrenome ficava no bairro paulistano do Belém e, no auge de produção, contava com um catálogo de 245 times.

Criador da marca, Paulo Brianezi começou a confeccionar as equipes no fundo da loja de que era dono e oficializou o negócio em 1973. O proprietário morreu no fim dos anos 70 e deixou a fábrica em São Paulo para o filho Lúcio.

Mais adiante, no início dos anos 90, o empreendimento sofreu com a obrigatoriedade do pagamento de royalties e parou de funcionar em 2001. Mesmo assim, segue na memória dos fãs. "Aqueles times da Brianezi, com as duas faixinhas laterais, são muito adorados", diz Jorge Farah, presidente da Federação Paulista.

 

"O pessoal do videogame fica tão fixado na TV, que não tem tempo de pensar. Não pode criar nada, as jogadas já estão lá todas programadas", conclui Farah.

FABRICANTES FALAM EM TEMPOS DIFÍCEIS PARA O MERCADO
A realidade de interesse em queda pelo esporte de mesa também chegou naturalmente aos fabricantes de times de botões. Eduardo Toscano é uma referência na produção de modelos do esporte desde 1991 e admite a dificuldade atual do mercado.
"A gente conversa com outros fabricantes, alguns fornecedores, e dá para perceber que de um ano e meio para cá a coisa está bem difícil. Não sei dizer se é exatamente em razão dos jogos eletrônicos, mas o mercado está complicado", afirma o proprietário da "Edú Botões", oficina no bairro do Butantã, que já contou com sete funcionários e hoje opera com o dono e seu pai.
"O pai chega aqui para comprar e fala: 'Quero mostrar o futebol de botão para o meu filho, jogar com ele. Porque quando chego em casa, ele está lá com o joystick na mão, mal olha para minha cara'", relata Toscano, que diz lucrar mais hoje em dia com trabalhos especiais para empresas como Rede Globo e agências de publicidade.
Em outro ponto da cidade, na Mooca, Lennon Biscasse gerencia a fábrica "Futmesagol", com mais de 40 anos no ramo. O fabricante também admite a fase de dificuldades, mas, além dos videogames, aponta para a questão de royalties dos famosos clubes brasileiros como elemento complicador do mercado.
A empresa de brinquedos Gulliver detém um antigo contrato de licenciamento e é atualmente quem abastece a demanda existente das lojas, de esporte ou para crianças, com modelos de botão mais simples.
Além de algumas estantes menos nobres das lojas, o futebol de mesa sobrevive na paixão de seus adeptos, que vão buscar novos times onde eles estiverem. Em uma cena que ilustra a esperança de vida da modalidade, a reportagem do UOL Esporte encontra na oficina de Eduardo Toscano seis novas mesas de jogo encostas, à espera de seus compradores, em campos conhecidos no passado como estrelão. Um dos consumidores ajeita a miniatura de estádio acima do carro e parte, prometendo incentivar o filho a fazer gols usando palhetas, e não somente com joysticks.

Fonte: http://esporte.uol.com.br/ultimas-noticias/2011/12/19/futebol-de-botao-tenta-sobreviver-a-era-do-videogame-e-teme-ficar-sem-nova-geracao.htm

Postado por Enio Seibert- enioseibert@hotmail.com

Pedaços de Acrílico, por Mateus Pierobom
O Dia em que a Terra Parou.

Eram passados 24 dias do mês de março do corrente ano na acolhedora cidade de Caxias do Sul. Um jovem talentoso, sonhador, dedicado e ambicioso deixaria de ser "simplesmente" um botonista já consagrado e de 1º escalão para se tornar uma lenda, um mito, daqueles que somente se apresentam a cada 50 anos e que são lembrados por toda eternidade.

Foi vontade de Deus me dar o privilégio de tê-lo como um de meus melhores amigos, como irmão. No dia anterior (1a fase) daria a primeira demonstração de sua vitoriosa caminhada no torneio enfrentando sem vantagem de empate um excelente botonista da Bahia. Ao final do 1º tempo, aos 25 minutos cravados, faria um gol boníssimo, um tiro de média distância, com seu centro-campista ao lado direito, chute de corte, grau de dificuldade altíssimo, 30 pessoas ao redor da mesa, silêncio: O Cara vai chutar. Após habitual concentração sai em disparada o centro-campista, rumo ao improvável, para percorrer boa distância, acertar o corte e arremessar sobre o goleiro. Em questão de segundos a utopia se torna realidade, a bola entra com perfeição, como se tivesse traçado aquele caminho a vida toda, e de tanta naturalidade parecia fácil. Gol do Cara.

Após, viria a enfrentar um dos grandes nomes do Futmesa Gaúcho, botonísta em extrema ascendência nos últimos anos. Grande talento. Ao empatarem em jogo disputadíssimo sem gols, conseguira assegurar a "vitória" ganhando nas penalidades.

Tivera ainda pelo caminho em outro confronto com uma fera gaúcha, e que enfrentar uma grande barreira, o fato de seus atletas simplesmente não andarem e terem de serem todos substituídos antes do início do confronto. Mesmo com o time "reserva" conseguira passar de fase com boa vitória, agindo sempre com muita frieza e concentração.

Enfrentaria em fase já avançada excelente atleta sergipano, o qual acabou tendo a infelicidade de fazer um gol contra e teve de sucumbir à frieza e determinação de nosso guerreiro.

Em fase semifinal enfrentaria nada mais nada menos do que o atual campeão Brasileiro, um monstro de poderes sobrenaturais, joga como poucos. Atuando com maestria, nosso combatente foi ao limite da frieza e da categoria, conseguindo histórica vitória sobre um dos maiores nomes do nosso querido "esporte".

Estaria após o término da partida, mais uma vez (como já fizera em 2010) diante de um título inédito para os gaúchos, um título Brasileiro. Quis o destino que o adversário fosse um dos melhores botonistas da atualidade, um baiano de jogo limpo, vistoso e atraente. Logo nos primeiros minutos da primeira etapa, nosso combatente, junto com toda torcida do Rio Grande do Sul, já teve amostras da dificuldade que seria segurar o ímpeto de um baiano arretado, que jogando o fino da bola simplesmente a escondeu de nosso combatente. Como num ato de mágica, fez com que nosso guerreiro não enxergasse a bolinha branca, fazendo de um tiro de meta um chute à gol em apenas uma jogada.

Após 2 chutes à gol com o ponta esquerda, o baiano se prepara para o 3º chute, quando brilha a estrela de nossa Lenda. Eis que o goleiro defende, e mais, lança para o ataque, e mais, a bola bate no zagueiro e cai no meio da área adversária. E mais, senhores, o cara de quem estou falando chama-se Marcelo Vinhas, da Academia de Futebol de Mesa. Aquela bola, amigos, jamais deixaria de entrar. Com precisão cirúrgica adentra as redes adversárias e abre caminho para um 2x0 extraordinário na grande final.

Neste momento a terra parou, o vento parou e o sol esfriou. Por um instante o som deixou de existir. Sim, senhores, meu amigo, meu irmão Marcelo Vinhas sagrou-se campeão da Copa do Brasil, tornando-se a maior lenda gaúcha no esporte na modalidade liso. Mostrou a todos a camisa da sagrada Academia de Futebol de Mesa no topo, no ápice. Orgulhando não só uma entidade, mas uma nação de gaúchos apaixonados e delirantes pelo futebol de mesa. Nós da Academia de Futebol de Mesa temos o orgulho de ter entre nós um campeão do Brasil, em nossa sede, situada à rua Gal. Neto em Pelotas, onde desfila extrema categoria de fino jogador, uma relíquia, abençoada agora pelo Deus do Brasil.

Merecedor de tudo que já antes conquistara. Agora nós carregaremos no peito esta imensa estrela de um título Brasileiro, colocaremos nas mesas nossos times com ainda mais orgulho pelo seu feito inédito. Após a conquista, com um abraço apertado em nosso guerreiro, surge um instante de lágrimas de emoção, quando ouvi do campeão com voz tremula: "É nosso". Me veio à cabeça o "longíquo" início dos anos 90, quando ainda crianças e sem qualquer compromisso com a vida, nos reuníamos aos domingos para jogar botão, sonhando um dia poder disputar com os melhores. Conversávamos horas ao telefone definindo a tática do próximo jogo. Anos e anos de dedicação, de treinamentos que agora se tornaram realidade, se transformaram em um título que vem para coroar o grande trabalho feito per uma pessoa extremamente dedicada e merecedora e, também, feito pela Academia de Futebol de Mesa.

Obrigado Marcelo Vinhas. É Nosso!
 
 
Matéria reproduzida por Enio Seibert- enioseibert@hotmail.com

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

 O ÚLTIMO GOL DE LENINE

O menino Lenine Macedo de Souza nasceu na rua Lima e Silva, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, na década de 30. Em 1940, tomou conhecimento do jogo de Futebol de Botões ao ler uma reportagem nacional do Papa do botonismo brasileiro, Jornalista, corretor de seguros e publicitário Geraldo Décourt, na revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, que circulava em todo o país, divulgando um novo esporte-hobby que surgia e que passava a ter grande divulgação na imprensa escrita, fato que granjeou grande aceitação dos jovens da época, pois era um período entre as duas grandes guerras mundiais, com muita carência em opções de lazer, passatempo e diversão.

Contribuiu muito para a rápida assimilação do novo jogo, além da semelhança com o futebol de campo, o equipamento básico necessário, utilizado na época, serem os botões de vestuários, adaptados com os devidos lixamentos, principalmente em suas bordas laterais, geralmente arredondadas e que necessitavam serem limados, nivelados e adaptados com ângulos de inclinação propícios para arremates com levantamento da bola sobre o goleiro e melhor deslisamento da sua base e partes baixas, na superfície das mesas de madeira que começavam a ser utilizadas, substituindo os pisos das casas.

Em Porto Alegre e no estado do Rio Grande do Sul, a fundação da Fábrica de puxadores Scharlau que disponibilizava diversos tipos de acessórios de plástico galalite para puxadores de móveis (armários, escrivaninhas, roupeiros, cômodas) acabavam transformando-se em jogadores, pois vinham praticamente prontos para uso como botões de jogo, necessitando, geralmente, mínimos lixamentos para imediata utilização nos estádios de futebol de mesa.

O jovem Lenine funda, em seguida, com amigos, companheiros e colegas de colégio, a Associação ou Sociedade Lima e Silva, destinada à prática exclusiva do Futebol de Botões de Mesa e que passa a divulgar, sistemáticamente, na imprensa gaucha (Folha da Tarde Esportiva e Revista do Globo ), adotam as regras nacionais do Futebol Celotex divulgadas por seu criador Geraldo Décourt, fazem as adaptações e inovações para deixar a regra mais atraente e competitiva, e iniciam seus campeonatos na sede caseira do páteo da residência da família à rua Lima e Silva, no. 268, com cerca de 20 companheiros adolescentes na faixa de 10 a 15 anos.

Nos anos 40 Lenine e seus amigos desenvolveriam a partir da Regra de Futebol Celotex ( 1 toque somente para cada jogador ), as bases embrionárias da futura Regra Gaucha, oficializada em 1961, com a fundação da primeira Federação oficial brasileira de Futebol de Mesa em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, regulamento básico que geraria junto com a Regra Baiana ( também de 1 toque para cada técnico, como a Regra Gaucha, com algumas opções de jogadas alternativas de dois lances nos laterais cedidos, escanteios cedidos e infrações/faltas indiretas, ou seja, as acontecidas no campo defensivo de uma equipe ), e a Regra Brasileira em 1969, na famosa, polêmica e controversa reunião de Salvador, Estado da Bahia, promovida entre gauchos e baianos, constituindo-se efetivamente na primeira tentativa de criar uma regra única com a denominação de regra nacional (nome oficial de registro da Regra Gaúcha).

Com as Regras Gaucha ( pioneira das oficiais no Brasil ), a Regra Baiana ( consolidada no Estado da Bahia e região Nordeste brasileiro e a nova Regra Brasileira, todas praticadas em 1 toque básico para cada jogador, juntamente com a Regra Paulista, então jogada em 3 toques para cada técnico ( inclusive com a participação e concordância de Geraldo Décourt, domiciliado em São Paulo-SP ) e a Regra Carioca/Confederada, (fundada no Rio de Janeiro e Brasília, por botonistas dissidentes da Regra Baiana/Brasileira, igualmente jogada em 3 toques), com a grande novidade da introdução do passe ( tabelamento entre dois botões ) com a bola em jogo ( semelhante à sistemática do regulamento praticado na Espanha e até certo ponto, similar à maneira de jogar na Hungria e paises do Leste Europeu), surgiria no Sul do Brasil nos anos 80, no Ginásio Gigantinho do S.C.Internacional, a Regra Unificada de Futebol de Mesa, procurando contemplar e conter na sua sistemática de jogo," os pontos fortes " das principais regras praticadas, até então, no Brasil e na Europa.

A Regra Unificada, disponível no blog www.botonismo.com.br, já está traduzida e disponível em língua inglesa e brevemente, também versionada para o espanhol, é jogada basicamente em 1 lance para cada jogador, mas com a opção da realização do passe ( tabelamento da bola entre dois botões ) quando o técnico da equipe tem direito a jogar pela segunda vez ( que será a última, porque não é permitido jogar tres vezes consecutivas ).

Trata-se de uma proposta concreta de unificação das regras do jogo de futebol de botões de mesa no Brasil, Américas e Europa, objetivando a realização de campeonatos inter-continentais e mundiais nos próximos anos, numa regra única, divulgada no mundo inteiro pela Internet, disponível e acessada por todos os botonistas antigos em atividade, atuais novos botonistas praticantes e futuras novas gerações de jogadores do futebol de botões dos sonhos.

O desejo e sonho do menino pioneiro Lenine já no distante ano de 1940 era a utilização de uma regra única para todos os jogadores praticantes, conforme texto reproduzido no livreto da Regra Oficial registrada em Cartório de Títulos e Documentos de Porto Alegre, em 1961, na homologação de fundação da Federação Riograndense de Futebol de Mesa.

" Será de aplicação imediata em todo território confiado á sua jurisdição e a partir desta data, a primeira Regra Nacional do Jogo de Futebol de Mesa, cujo teor vai, a seguir, descrito.
Todas as Federações, Ligas e entidades esportivas que se vierem a organizar no Brasil, com o objetivo de praticar o futebol de mesa, ficarão, igualmente, a ela vinculada, desde a respectiva fundação. Porto Alegre, 09 de agosto de 1961. Lenine Macedo de Souza - Presidente. "

Infelizmente, quiz o destino que tres derrames vasculares cerebrais, levassem Lenine precocemente para outra dimensão espiritual, deixando-nos a herança do seu trabalho, a obra e o idealismo que acompanhou e pautou suas realizações durante a vida inteira dedicada à organização e regulamentação do Futebol de Botão de Mesa.

Ainda temos gravado na lembrança aquele que pode ter sido o seu último gol em vida terrena, quando já parcialmente debilitado pela doença que lhe acarretara sequelas, marcamos e realizamos um jogo de futebol de botões em meu " estádio " na minha residência, mesa em que marcou um verdadeiro golaço de escanteio, em um só toque fazendo rebater a bola que estava praticamente colada no seu jogador, impulsionando a bolinha contra um defensor da minha equipe, jogando a mesma sobre o meu arqueiro, indefensável... Ainda recordo e lembro como se fosse hoje, a alegria e o sorriso estampado no seu rosto com o gol marcado no final do nosso jogo, apesar do resultado de 5 x 1 contra a sua equipe.. Ele conseguira o gol de honra, o gol mais bonito da tarde esportiva. Despedida de gala das mesas de futebol de botões, pois nos meses seguintes ficaríamos sabendo por seus familiares e companheiros de esporte do passamento de Lenine. Aquele " gol de placa " tinha sido realmente, O ÚLTIMO GOL DE LENINE !...

Não lembro bem a razão do amigo Lenine, meu eterno ídolo pelo trabalho realizado durante toda a sua vida, em prol do nosso amado jogo de Futebol de Botões de Mesa, ter deixado comigo sua caixinha de botões, com o time titular que jogara comigo, algumas horas antes. Algum dia, se Deus quiser, organizaremos um Memorial ou Museu Lenine Macedo de Souza, quando aqueles seus botões poderão ser vistos e admirados por todos os botonistas visitantes, além de conhecer um pouco da história deste grande idealista organizador do nosso esporte preferido.

Enquanto isso, companheiro e amigo Lenine, sua memória continuará sendo preservada por todos nós, seus continuadores de luta e ideário futebotonístico.

TEXTO DE ENIO SEIBERT - BOTONISTA E PRINCIPAL MENTOR DA REGRA UNIFICADA DE FUTEBOL DE MESA. E-mail: enioseibert@hotmail.com
Blog brasileiro e internacional: www.botonismo.com.br - Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil - Fone ( 51 ) 32260085.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Vivo en Argentina - Cine - Cracks de nácar - 25-01-13
Entrevista concedida por diretor e protagonista do filme Cracks de Nácar à TV pública Argentina

 
 
"Futbol de botones" (R.Berruti y A.Drimer) 
Trilha sonora: Tango Lungo
 
 
CRITICA- Cracks de nácar
 
Cracks de nácar (2011) es un documental sobre un inusual deporte: el fútbol de botones. Pero también es la posibilidad de ver a Rómulo Berruti y Alfredo Serra, reconocidos periodistas del medio, protagonizar una película y exponer sus carismáticas personalidades.El fútbol de botones es un deporte con varios practicantes. Lo que nadie se imagina es que entre sus aficionados se encuentran nada menos que el co-conductor de “Función Privada” Rómulo Berruti y el corresponsal de guerra Alfredo Serra. Dos personajes tanto en la pantalla como en su vida privada, donde el whisky y el hobby de botones son cosa seria.
Los directores Daniel Casabé y Edgardo Dieleke, encuentran un extraño tema, digno de una película, y a los personajes que la narren, dignos de una catarata de anécdotas propias de los cuentos asombrosos de Steven Spielberg. Con ese material, consiguen un documental ficcionalizado magnífico, creando un tono desopilante acorde a sus protagonistas.
La fusión entre documental y ficción se desprende del tema mismo del film: Dos tipos reales que consideran a sus botones craks de fútbol, incluso inventándoles biografías extraordinarias, no es más que la ficcionalización de una realidad. Justificado por una frase del poeta argentino Raúl González Tuñón, lo fantástico no deja de ser increíble pero necesario para el universo de estos periodistas que hacen del juego una utopía sumamente atractiva.
Además de contar con dos personajes de una oralidad encantadora, que bien pueden sostener el ritmo de un relato y hacerlo interesante, los directores contaron también con tres elementos fundamentales para convertir su idea en una muy buena propuesta: La música, compuesta casi en su totalidad originalmente para el film, las animaciones de las distintas secciones del relato, que le dan ritmo y frescura a lo narrado y un montaje preciso y dinámico que no permite caer nunca en la saturación.
Cracks de nácar sigue de esta manera la línea de documentales que coquetea con la ficción para darle ilusión al tema representado, promoviendo la gracia y el tono justo para descubrir, conocer y hacerse amigo de todo ese universo extraordinariamente real que plantea.

Fonte: http://www.escribiendocine.com/criticas/botones-whisky-y-periodismo



Daniel Casabé y Edgardo Dieleke: El maravilloso mundo del fútbol con botones


En una extraña suma de elementos, Cracks de nácar (2011) es una película docu-ficcional de humor que registra el magnético universo de anécdotas de Rómulo Berruti y Alfredo Serra -consagrados periodistas y amigos de toda la vida- y su particular afición por el fútbol de botones. En entrevista exclusiva para EscribiendoCine, los directores Daniel Casabé y Edgardo Dieleke cuentan el trasfondo de esta realización que, sin ir más lejos, también es el relato sobre su propia amistad.
¿Cómo nació la historia de Cracks de nácar? ¿Y cómo surgió el encuentro entre Rómulo Berruti y Alfredo Serra, hitos del periodismo, para protagonizarla?
Daniel Casabé: La historia de Cracks de nácar nació muchos años atrás. Yo vivía con mi madre (Mara Sala, quien aparece en la película) y con Alfredo Serra, mi padrastro. Rómulo Berruti, íntimo amigo de Alfredo, iba todos los sábados de cada mes (y lo sigue haciendo) a encontrarse con Alfredo para jugar al fútbol con botones. Y después de cada partido, se siguen juntando a tomar unos whiskies y a charlar de la vida, compartiendo anécdotas de periodismo, discutiendo películas y libros o simplemente repasando recetas de nuevos tragos. Con Edgardo Dieleke (un hermano para mi) quedamos cautivados por ese oculto y fantástico mundo que ellos mismos generan. Y sobre todo por sus relatos; son dos grandes narradores, que logran captar la atención de cualquier espectador que comparta una bebida con ellos. Y eso es justamente una de las sensaciones primarias que nos impulsó a realizar esta película: llevar este mundo y estos personajes, escondidos hasta ahora en un departamento, al espectador.
¿Cómo fue que Uds. conocieron este particular juego como es el fútbol de mesa?
Edgardo Dieleke: El juego estaba al alcance de Daniel primero, porque vivía donde se jugaba. Acá Daniel no lo dijo, pero él además jugaba, y mejor que Rómulo y Alfredo. Luego nosotros investigamos dónde más se juega, pero la verdad es que más que el fútbol en sí, nos interesaba qué es lo que construían Alfredo y Rómulo con el juego. Cuando vean la película van a darse cuenta de que más allá de un juego extraño, lo más increíble es el mundo que Alfredo y Rómulo construyen en torno al juego: inventan vidas a los botones, les ponen nombres e historias de vida, en fin, son personajes.
Cracks de nácar comparte elemento del documental, los periodistas aficionados por este deporte, que hacen a la vez de protagonistas, cuentan anécdotas de sus oficios e historias de su vida mientras sus miradas lanzan guiños cómplices a cámara, y también de la ficción, en ella aparecen conflictos, como la pérdida de una pieza con dotes magistrales, que aportan dinamismo y mucho humor a la historia. En este sentido, ¿cómo decidieron abordar el trabajo de guión?
D.C.: Nosotros conocíamos todos los relatos de Alfredo y Rómulo que aparecen en la película, por haberlos escuchado muchas veces en distintas oportunidades. A partir de ahí, el desafío era lograr que ellos se sintieran cómodos, al punto casi de ignorar la presencia de la cámara, para soltarse y volver a contar las anécdotas que nosotros les pedíamos. Y tratándose de una película que trabaja, entre otras cosas, sobre el engaño, la ficción fue una herramienta que nos sirvió para engañar tanto a Rómulo y a Alfredo, como al espectador. El mundo que ellos generan ya se encuentra en un juego entre lo documental y la ficción, y eso mismo queríamos llevarlo al relato. Por lo tanto, la estructura de la película contaba con una base de registro documental que necesitaba impulsarse con mecanismos de ficción que iban a generar otros momentos de registro documental. La desaparición de Bordenave (botón) es un ejemplo: Alfredo se desespera por la pérdida de su crack, justo antes del esperado desafío. Por supuesto, en una película de estas características, es inevitable que el guión se termine de trabajar en la etapa de montaje. El trabajo de montaje realizado junto a Andrés Pepe Estrada (gran montajista) fue la clave de la estructura narrativa y el complemento necesario de un guión de estas características.
Además del juego de mesa, Cracks de nácar también narra lo más íntimo en la vida y en la amistad compartida por estos protagonistas. ¿Fue algo que surgió a partir del atractivo “anecdotario” de los actores o todo se ajustó a un libreto previo al rodaje?
E.D. y D.C.: En realidad uno de los desafíos y quizás lo que más nos interesaba era ver cómo hacer para volcar en el cine una situación en principio anti-dramática por definición como una conversación de amigos. Lo que más queríamos era conseguir establecer un paralelo entre el modo que tienen ellos de contar historias personales o anécdotas con la manera en que se toman el juego. Si bien las anécdotas son ciertas, todas están cargadas de un gran manejo de la oralidad y de la exageración, como toda buena anécdota. Hay mucho de la ficción en el modo en que ellos cuentan esas anécdotas: hay suspenso, desvíos, puesta en escena. Del mismo modo, cuando hablan de su juego y de sus jugadores estrella, como Bordenave, lo que aparece allí es un espíritu lúdico que queríamos transmitir al espectador. En ese sentido, sabíamos algunas de las anécdotas y la clave era conseguir organizar el relato de la película de un modo que excediera lo meramente observacional, para captar la verdad de los personajes también a partir de ciertas licencias.
En la estructura general de la película, el humor es el tono fundamental de los diálogos y también en el uso de las imágenes, tal como sucede en la explicación sobre la mecánica del fútbol de botones donde hay una retoma irónica de los tutoriales, los manuales de uso hiper-explícitos o el estilo radiofónico del relator deportivo. ¿En qué otros estilos narrativos se inspiraron para encontrar un estilo propio en la realización de la película?
E.D.: Quisimos que la película alternara esos registros algo anticuados pero en tono paródico, para que el peso de las anécdotas no se volviera solemne. Por que si bien los personajes hacen una defensa de su juego, y en algún sentido una recuperación de otro modo de vida, con los estilos más paródicos como los relatos o las falsas anécdotas de los jugadores, intentamos quitar los elementos de solemnidad que podía tener el relato en su conjunto. En definitiva se trata de un juego, y de personajes que pueden reírse de ellos mismo, y nosotros queríamos también reírnos un poco de lo que estábamos haciendo. Hay que recordar además que es un juego muy lento, son noventa minutos de botones moviéndose en una mesa.
Uno de los elementos que decidimos plantear fue la idea de un desafío: estos amigos que juegan hace 50 años, finalmente tienen dos contrincantes, brasileños, que vienen a desafiarlos. El desafío entonces era una forma que nos permitía ficcionalizar un poco el documental, y hacer entrar otro estilo. En cuanto a otros géneros, las escenas que tienen lugar en el bar de la casa de Alfredo, donde está la cancha, es algo que decidimos filmar de un modo más observacional, con la menor cantidad de cortes posibles. De hecho, hay charlas bastante extensas, por lo que aquí confiamos en lo que tenían ellos para decir, más que en imponerle un género o un estilo extraño a la propia forma de esos relatos.
De alguna manera, este modo de explicación cuasi-fenomenológica de las prácticas humanas, algunas interpretadas como juegos infantiles o rituales caprichosos, me recordó a Balnearios (2002) de Mariano Llinás, en el uso del humor irónico. ¿En qué films pensaron al momento de realizar Cracks de nácar?
E.D.: Balnearios nos gustó mucho, y es cierto que hay algo del tono irónico que se puede relacionar con esa película. Yo diría que la diferencia radica en que acá intentamos no explicar la pasión, la idea, como decía era intentar establecer una continuidad entre el juego y las charlas de los amigos. Podría decirse que uno se define por el modo en que juega, a cualquier cosa, no solo al fútbol de botones. Después, en cuanto a qué films pensamos, la verdad es que no trabajamos con muchas referencias. Con Daniel compartimos el sentido del humor, supongo que es una de las principales razones por las que nos hicimos amigos y co-directores. Entonces, más que recuperar otros films intentamos llevar algunos elementos que a nosotros nos divierten. Sí te diría que en las partes de las anécdotas teníamos presentes algunas películas del brasileño Si bien él en general mantiene un diálogo en cámara con sus personajes, hay una afinidad en el aspecto de buscar la verdad y la humanidad de los personajes en los aspectos supuestamente más banales, como el juego o en el modo de construir la oralidad.

Fonte: http://www.escribiendocine.com/entrevistas/daniel-casabe-y-edgardo-dieleke-el-maravilloso-mundo-del-futbol-con-botones


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